Setor de consórcio projeta crescimento de 11% para 2026 em Minas
O mercado de consórcios está numa vertente de crescimento e tem batido recordes ano após ano, demonstrando confiança do mineiro no segmento. Em 2025, o setor registrou um aumento de 14% nas vendas em Minas Gerais que contribuíram para indicadores expressivos no cenário nacional. Para este ano, a Associação Brasileira de Consórcios (Abac), responsável pelos dados, projeta um crescimento geral de 11%. Os números englobam os segmentos de imóveis, veículos leves, eletros e motocicletas.
Em Minas, o total de vendas ficou próximo de 499 mil cotas, 14% maior que as 437 mil de 2024. Os participantes ativos cresceram 10%, chegando a 1,3 milhão no ano passado. Números que o presidente regional sudeste da Abac, Vitor Bonvino, diz ser muito relevante para o setor. “Minas tem mantido seus 10% de participação e em segundo lugar no ranking dos estados mais participativos. É uma região de suma importância para o setor”, observa.
Bonvino atribui o crescimento ao aumento do confronto da cultura do imediatismo com a do planejamento. “O consumidor tem buscado aplicar e ampliar o conhecimento sobre a educação financeira, na qual o planejamento é o principal fundamento”, diz.
O especialista e diretor da Mycon (Meu consórcio), primeira fintech de consórcios digital do Brasil, Bruno Borges, destaca que, além da mudança do comportamento do consumidor, a questão econômica também é significativa. “Em um cenário de juros elevados e crédito mais restrito, muitas pessoas passaram a buscar alternativas mais previsíveis e menos onerosas para viabilizar projetos como a compra da casa ou do carro”, diz.
Na visão de Borges, o consórcio oferece algo que o consumidor passou a valorizar muito que é a ausência de juros, a previsibilidade de custos e a disciplina financeira. “Isso ganha ainda mais importância em momentos de incerteza econômica como agora”, frisa.
Os bons resultados levam a associação prever um aumento de 11% no setor este ano. A projeção conservadora, conforme detalha Vitor Bonvino, tem a ver com ano eleitoral e as incertezas geopolíticas que podem trazer algum impacto na atividade.
De acordo com os números da Abac, no Estado, o segmento de “eletros” que contempla eletrodomésticos, celulares, notebooks e mobiliários em geral para casa ou escritório, foi o que mais cresceu em vendas, registrando alta de 53%. Ano passado foram 17,53 mil cotas vendidas contra 11,44 mil em 2024. Bonvino atribui esse crescimento ao interesse e as vendas cada vez maiores por celulares mais caros.
Em termos de números de cotas vendidas, no entanto, o setor de veículos leves continua sendo o mais procurado, respondendo por quase metade das cotas (41,7%). Ao todo foram 208,4 mil vendidas no Estado em 2025, do total de 498,8 mil. O segmento é responsável ainda por 48% dos participantes ativos em Minas.
“É muito comum os pais se organizarem para a compra de um carro. Ele paga um consórcio por quatro anos e quando filho consegue a carteira nacional de habilitação, ele consegue comprar o veículo à vista. É uma forma de planejamento financeiro”, diz o presidente regional da Abac.
Bruno Borges chama atenção para o destaque que o segmento de imóveis tem tido no Estado. Conforme os dados, o número de participantes ativos em consórcios imobiliários cresceu 31,9% em 2025, enquanto as vendas de cotas avançaram 33,4%. “Esse movimento mostra que muitas famílias estão utilizando o consórcio como estratégia para aquisição de patrimônio, especialmente diante do encarecimento do financiamento tradicional”, destaca.
Negociações no Brasil superaram R$ 500 bilhões
O bom desempenho do setor em Minas, contribuiu para que, no Brasil, as vendas batessem mais um recorde e superassem a projeção de crescimento acima do dobro. Ao resultar avanço de 15%, as vendas superaram a expectativa dos 6% previstos para o ano passado.
De janeiro a dezembro, o consórcio acumulou vendas no total de 5,16 milhões de cotas no País, marcando, mais uma vez, um novo recorde histórico. Houve aumento de 15% sobre as 4,49 milhões de adesões de 2024. Os créditos comercializados, resultantes dos negócios concretizados, também bateram recorde. O volume ultrapassou a marca de R$ 500,27 bilhões, 32,1% maior que os R$ 378,73 bilhões do ano de 2024.
Já os participantes ativos atingiram o total inédito de 12,76 milhões em dezembro de 2025. Foram registrados 13,8% acima dos 11,21 milhões de consorciados daquele mês em 2024. Desde janeiro de 2022, mês após mês, foram registrados 47 recordes consecutivos, com exceção de abril de 2023, até dezembro do ano passado, anotando um avanço de 55,4%.
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