Finanças

Volatilidade marca cenário de investimentos para 2026, aponta XP

Perspectiva é do estrategista de ações da XP, Raphael Figueredo
Volatilidade marca cenário de investimentos para 2026, aponta XP
Foto: Reprodução Adobe Stock

Após um 2025 marcado por fortes surpresas no mercado financeiro, especialmente no câmbio, o ano de 2026 deve ser caracterizado por volatilidade, queda gradual dos juros e recomendação de manutenção da diversificação dos investimentos. A avaliação é do estrategista de ações da XP, Raphael Figueredo, que detalhou as perspectivas no relatório Onde Investir 2026, publicado pela empresa.

Segundo o executivo, entender o cenário de 2026 passa, necessariamente, por compreender o que ocorreu em 2025. “O dólar foi a grande surpresa de 2025. No começo do ano, o mercado via muito mais um dólar a R$ 7 do que a R$ 5, como vemos hoje”, afirmou.

De acordo com Figueredo, a mudança brusca no câmbio foi resultado de um movimento global de redução da exposição aos ativos americanos, após questionamentos sobre a institucionalidade dos Estados Unidos. “O mundo passou a entender que não havia mais necessidade de ficar superexposto aos ativos americanos, e parte desse dinheiro acabou migrando para outros mercados, inclusive os emergentes como o Brasil”, explicou.

Raphael Figueiredo
O especialista Raphael Figueredo também aposta numa redução gradual dos juros no próximo ano | Foto: Arquivo Pessoal / Raphael Figueredo

Esse processo, chamado de rotation global, fortaleceu moedas locais e contribuiu para a desinflação no Brasil. “Se no ano passado, o câmbio piorava as expectativas de inflação, agora, ajuda a melhorar as perspectivas para o fim de 2025 e início de 2026”, disse. Segundo ele, o dólar registrou o pior primeiro semestre desde 1973, o que ajudou a impulsionar os ativos de risco.

Volatilidade e corte de juros em 2026

Para 2026, a XP projeta um ambiente mais favorável, porém instável. “Vai ser um ano de volatilidade”, destacou Figueredo. Um dos fatores centrais será o ciclo de afrouxamento monetário nos Estados Unidos. “Quando o Fed corta juros, o investidor global tende a buscar mais risco em outros mercados, e historicamente a renda variável brasileira se beneficia desse movimento”, afirmou.

Ainda assim, ele alerta que os resultados costumam ser irregulares. “Apesar de o histórico apontar ganhos médios relevantes, a dispersão é muito grande. Vai ter altos e baixos, vento de cauda, vento de frente, isso é natural”, diz se referindo ao movimento favorável ou desfavorável que impulsiona o crescimento de uma empresa, setor ou mercado.

No Brasil, a XP prevê uma mudança de regime econômico. A projeção é que a taxa básica de juros comece a cair a partir de março de 2026, saindo de 15% e encerrando o ano em 12%, com cerca de seis cortes de 0,5 ponto percentual. “Esse ambiente de juros e inflação em queda é muito propício para os investimentos no Brasil e para todas as classes de ativos”, avaliou.

Diversificação continua sendo recomendada

Diante de um cenário mais incerto, a diversificação é apontada como essencial. “A lição de 2025 que levamos para 2026 é que a diversificação nunca foi tão necessária”, afirmou Figueredo. Para ele, diferentes classes de ativos têm potencial de desempenho positivo. “Ter renda fixa, renda variável, investimentos internacionais e ativos em dólar ajuda a atravessar períodos de incerteza”, avaliou Figueredo.

O estrategista também destacou que o processo eleitoral deve gerar ruídos ao longo do ano. “O trade eleitoral vai acontecer e pode trazer volatilidade, mas não muda a nossa forma de investir, que é focada em uma alocação eficiente e diversificada”, observou.

Setores e escolha de empresas

Sobre os setores, Figueredo avalia que empresas muito alavancadas, ou seja, que possuem nível de dívida elevado, ainda exigem cautela. “Mesmo com a queda dos juros, setores com alto nível de endividamento precisam ser analisados com cuidado”, afirmou, exemplificando com companhias ligadas ao consumo e ao varejo que podem estar mais dependentes de crédito.

Na outra ponta, ele destaca empresas com fundamentos sólidos. “Gostamos de companhias com pouca ou nenhuma alavancagem, alta previsibilidade de resultados e boa geração de caixa”, disse. Entre os exemplos estão distribuidoras de energia, bancos e empresas de utilidade pública, conhecidas pelo pagamento recorrente de bons dividendos.

Apesar disso, o estrategista ressalta que o cenário atual é atípico. “O ano de 2025 não foi um ano de setores, foi um ano de empresas. Dentro do mesmo setor, vimos um patinho feio e um patinho bonito”, afirmou. Segundo ele, essa dinâmica deve continuar em 2026. “Não é mais possível falar apenas de setores. O foco é stock picking, escolhendo empresas específicas, com análise rigorosa de gestão, resultados e disciplina financeira”, concluiu.

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