Alimentação saudável ganha força e impulsiona expansão de franquias
Impulsionada pela pandemia de Covid-19, entre 2020 e 2022, a alimentação saudável deixou de ser uma tendência para se tornar um importante segmento dentro do setor de alimentação dentro e fora do lar. Segundo o relatório de tendências 2024 da Euromonitor, o setor brasileiro de alimentos e bebidas saudáveis movimenta US$ 35 bilhões por ano.
E o franchising brasileiro também tem apostado nesse nicho, aproveitando a velocidade de expansão e capilaridade do modelo para atender mercados fora das capitais com capacidade de consumo e ávidos por produtos que levem com eles informação correta, preço justo e boa relação custo-benefício.
De acordo com a pesquisa “Desempenho do Franchising 2025”, divulgado pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), na semana passada, o segmento de alimentação – food service, registrou recorde de faturamento, de R$ 51,8 bilhões, e cresceu 10,8% em 2025, em relação ao ano anterior. O fôlego do setor ficou nítido no balanço do quarto trimestre de 2025, quando o segmento faturou R$ 15,3 bilhões, com alta de 9,9%, confirmando a tendência de aumento na demanda e a eficiência das operações franqueadas no País.
Segundo o especialista em negócios e expansão de alta performance, CEO e fundador da Maxymus Expand, Ycaro Martins, o franchising brasileiro vive uma fase de maturidade e profissionalização.
“O setor de alimentação, em particular, tem apresentado crescimento contínuo, impulsionado pelo aumento do consumo fora do lar e pela habilidade das redes em proporcionar experiências atrativas aos clientes”, observa.
Ele acrescenta que hoje é possível ver redes mais estruturadas, com governança, indicadores claros de performance e modelos desenhados para escalar. “Isso transforma o franchising em uma estratégia inteligente de crescimento, tanto para quem quer empreender quanto para investidores que buscam ativos operacionais com método e previsibilidade”, afirma Martins.

Embora o balanço não distinga as operações de alimentação saudável das demais, não é difícil encontrar franqueadoras dedicadas a esse nicho em rápido processo de expansão. A Juistreet, franquia de juice bar, por exemplo, inaugurou neste mês sua nova unidade – a 34ª franquia – em Belo Horizonte, no bairro Bandeirantes (região da Pampulha).
De acordo com o CEO da Juistreet, Renato Muniz, o sucesso da alimentação saudável vem de uma busca das pessoas por uma longevidade de qualidade. “Nesse sentido, a diversidade de frutas e legumes produzidos e consumidos no Brasil coloca a nossa população em condição de vantagem na adoção de hábitos alimentares saudáveis em relação à maior parte do mundo. E isso é bom para o desempenho da Juistreet”, diz.
“Fazemos parte da indústria que mais cresce no mundo, que é o setor de bem-estar. Isso é materializado pela longevidade com qualidade que todo mundo busca. A redescoberta da alimentação consciente, menos processada começa pelas classes econômicas privilegiadas e avança pelas outras camadas da sociedade. O nosso papel é chegar onde pudermos, levando informação e democratizando o acesso”, explica Muniz.
A marca está em processo de abertura de mais uma unidade na Capital, dessa vez no bairro Belvedere (região Centro-Sul) e mira nas cidades com mais de 200 mil habitantes. Os formatos são variados, com lojas de rua, shopping, quiosques e contêineres, com investimentos que vão de R$ 200 mil a R$ 500 mil.

“Belo Horizonte era um grande desejo nosso por ser uma cidade vitrine para o Brasil, e como ser considerada uma praça-teste. O morador da Capital é cosmopolita e ao mesmo tempo desconfiado. Vocês têm uma gastronomia de alto padrão e por isso o produto tem que fazer muito sentido para ser aceito na cidade”, avalia o CEO da Juistreet.
As tendências do mercado alimentar para 2026 apontam um consumidor mais atento à saúde integral, com foco especial em proteína e saúde intestinal. O relatório Top Ten Trends 2026: Shaping the Future of Food & Beverage, da Innova Market Insights, revela cinco direções estratégicas para a indústria de alimentos e bebidas no próximo ciclo.
- A proteína segue como vetor de escolha: a proteína mantém posição central entre as tendências do mercado alimentar. Quase 60% dos consumidores estão aumentando a ingestão proteica, reconhecendo seu papel na saúde geral. Leite, bebidas lácteas e produtos com alegações de teor proteico seguem entre as categorias de maior procura, impulsionando oportunidades para ingredientes de alto impacto nutricional.
- Saúde intestinal como eixo do bem-estar: 59% dos consumidores afirmam que a saúde intestinal é determinante para o bom funcionamento do corpo. Probióticos, prebióticos e fibras ganham espaço em formulações que prometem benefício ampliado para corpo e mente, reforçando o intestino como ponto de partida para o bem-estar integral.
- Bem-estar mental: o estresse aparece como a principal preocupação de saúde mental. A Innova destaca que cresce o interesse por soluções naturais para energia, foco e equilíbrio emocional. Alimentos e bebidas com ingredientes voltados à saúde cerebral tornam-se alternativas buscadas por consumidores que procuram cuidado cotidiano sem complexidade.
- Plant-based – menos na imitação e mais na nutrição: o mercado plant-based entra em nova fase. Cerca de 40% dos consumidores priorizam produtos naturais ou minimamente processados ao escolher proteínas vegetais. O movimento desloca a atenção das formulações que mimetizam carne para ingredientes vegetais com atributos nutricionais próprios.
- Bebidas ganham protagonismo em funcionalidade: as bebidas se consolidam como plataforma rápida de inovação em saúde. Hidratação, conveniência e funcionalidade orientam lançamentos, que registram Taxa de Crescimento Anual Composta (CAGR) de 18% em alegações relacionadas à hidratação. Produtos lácteos em formato líquido, cada vez mais vistos como snacks, reforçam o papel das bebidas como veículo eficiente de benefícios.
Clima de praia
A Mana Poke, que tem o prato típico havaiano como carro-chefe do cardápio, é outra que aposta no mercado mineiro e acaba de inaugurar a quinta unidade no Estado. A cidade escolhida foi Juiz de Fora (Zona da Mata), configurando, assim a sua 76ª operação.
Segundo o CEO da Mana Poke, Filipe Moreno, as unidades estão instaladas nos estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Santa Catarina, Pernambuco, Paraíba, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Bahia, Pará, Ceará, Mato Grosso, Alagoas e Distrito Federal. São 59 ingredientes para que o cliente monte o seu poke ou ele pode optar por versões já prontas.

Além disso, para remeter ao clima praiano, o cliente pode tomar água de coco servida diretamente da fruta, além de poder provar outras bebidas como sucos naturais e drinques especiais. A expectativa é abrir 12 novas unidades em 2026.
“A missão da Mana Poke é popularizar o acesso à alimentação saudável, oferecendo uma refeição a preço justo e com qualidade aos clientes. O principal desafio é manter a padronização do nosso prato, a qualidade e frescor. Para isso, temos um fornecedor homologado do nosso principal produto, que é o salmão cru, que distribui praticamente em todas as cidades em que estamos. Os outros alimentos, hortifrutis, homologamos locais para que cheguem frescos”, destaca Moreno.
Mineira Jah Açaí combina sabor e informação em prol de uma alimentação saudável
Criada em Conselheiro Lafaiete (região Central), a Jah Açaí completou 16 anos sendo uma das maiores redes self-service de açaí, sorvetes e picolés do Brasil. Com a entrada no mercado internacional – com uma unidade em Düsseldorf, na Alemanha, e em Lisboa, capital de Portugal -, chegou ao fim do ano passado com faturamento de R$ 180 milhões e 200 unidades em operação.
Para dar conta de tudo isso, a rede conta com duas unidades fabris, sendo uma em Belo Horizonte, e outra em Sorocaba (SP). De acordo com o sócio da Jah Açaí, Rafael Corte, um profundo conhecimento sobre os atributos do próprio produto e uma comunicação clara e técnica são fundamentais para que o açaí chegue ao consumidor no momento certo e seja realmente útil e prazeroso ao ser consumido.

“Primeiro é preciso conhecer de fato o seu produto. Tem muita gente que fala coisas muito mais midiáticas do que técnicas. Muito mais marketing do que sobre ser saudável. O saudável é simples. Tem que ser de verdade, com matérias-primas de verdade e balanceadas. E tudo isso custa caro. Uma dica para o consumidor é que se ele vê uma oferta de produto saudável muito abaixo do que é praticado pelo mercado, o melhor é desconfiar”, alerta Corte.
São 16 unidades da Jah em Minas Gerais, que segue sendo o principal e prioritário mercado da rede. A previsão para 2026 é abrir 60 lojas e inaugurar o mercado latino-americano começando pelo Chile, já em maio.
Segundo o executivo, o grande volume de informação de fontes pouco confiáveis e as “modinhas” podem colocar em risco tanto a saúde do consumidor como também a do negócio.

“Toda hora explode uma nova moda nas redes sociais. Uma hora você tem que consumir proteína, mas em qual momento do dia? Outra hora, é a fibra, mas qual fibra?”, questiona.
Ele conta que há três anos a empresa lançou o açaí com proteína. “Foi o maior fracasso porque não tinha percebido que o consumo de açaí e de proteína acontece em momentos diferentes. Entender o hábito de consumo e a expectativa para aquele ingrediente é fundamental. Comida é também prazer. Não vamos reinventar a roda. A gente quer desenvolver o momento de lazer sendo o melhor, o mais saudável”, pontua o fundador da Jah Açaí.
Mr. Fit leva alimentação saudável com cara de Brasil para o mundo
Produção centralizada e entrega fracionada são trunfos da Mr. Fit para garantir a entrega de uma alimentação saudável para cada um dos consumidores que frequentam as suas mais de 880 unidades espalhadas pelo Brasil, Paraguai e Portugal.
Pronta para figurar na restrita lista de franquias com mais de mil unidades, a partir de 2027, a rede possui fábrica própria, localizada em Cosmópolis, no interior de São Paulo, responsável por produzir e distribuir refeições congeladas e itens do cardápio para os franqueados.

De acordo com a fundadora e CEO da Mr. Fit, Camila Miglhorini, esse diferencial logístico garante eficiência, segurança alimentar e contribui para a praticidade do modelo, especialmente nas operações home office, que têm se mostrado um sucesso dentro da rede.
“No segmento de alimentação saudável, temos que tomar muito mais cuidado do que no setor de alimentação convencional. É um público mais exigente, que tem muita informação”, observa.
Ela diz que o desafio é fazer com que o franqueado entenda que o consumidor está com pressa. “Ele não quer nem o delivery, ele quer que o produto esteja na geladeira dele na hora que quiser. É um esforço muito grande de educação e comunicação. Depois da centralização da produção o que nos ajudou muito foi o frete fracionado, que faz com que o franqueado não precise mais ter grandes estoques por muito tempo”, explica Camila Miglhorini.

Com um cardápio que varia entre saladas, pratos prontos, marmitas, lanches, sucos e sobremesas, a Mr. Fit atende a diferentes perfis de consumo com opções vegetarianas, veganas, low carb e funcionais.
O foco é oferecer praticidade para quem busca uma alimentação equilibrada no dia a dia, sem abrir mão do sabor. Para isso, a rede oferece nove formatos de operação, incluindo lojas físicas, cafeterias, delivery e o modelo home office, que permite iniciar o negócio com investimento a partir de R$ 9.999,00.
“A alimentação saudável precisa fazer parte da rotina de forma descomplicada. A gente acredita que todo mundo pode e deve comer bem, e que empreender com esse propósito é uma forma de gerar impacto positivo”, completa a CEO da Mr. Fit.
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