O número de jovens sem trabalho e fora da escola caiu ao menor patamar dos últimos dez anos no Brasil. No segundo trimestre de 2026, 8,8 milhões de pessoas de 14 a 29 anos estavam nessa situação, o equivalente a 17,9% dos 49,1 milhões de jovens dessa faixa etária no país.
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O contingente vem diminuindo desde 2020, quando chegou a 14,6 milhões, o maior valor da série histórica. Em 2025, o grupo somava 8,9 milhões, praticamente estável em relação ao patamar atual. Os dados constam no boletim Emprego em Pauta nº 34, do
Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), elaborado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE.
Desemprego entre os jovens também bate mínima histórica
A redução no número de jovens fora do trabalho e da escola acompanha a melhora geral do mercado de trabalho para essa faixa etária.
A taxa de desemprego entre pessoas de 14 a 29 anos chegou a 10% no segundo trimestre de 2026, o menor nível da série histórica levantada pelo Dieese. Em 2022, essa taxa estava em 16,6%.
O aquecimento do mercado, principalmente nas vagas com carteira assinada, aparece como o principal fator por trás da queda.
Entre o segundo trimestre de 2022 e o mesmo período de 2026, o número de jovens que não estudavam, mas tinham emprego formal, cresceu 6,2%.
Já o grupo que conciliava trabalho e estudo aumentou 2,8%, enquanto o número de jovens à procura de emprego recuou 42% no mesmo intervalo.
Por que o termo “nem-nem” é considerado impreciso
O Dieese questiona o uso da expressão “nem-nem” para descrever os jovens que não trabalham nem frequentam a educação regular. Segundo a instituição, o termo sugere passividade, ideia que não corresponde à realidade da maior parte desse grupo.
Levantamentos anteriores do próprio Dieese já mostravam que a maioria desses jovens está em busca de trabalho, envolvida em afazeres domésticos ou fazendo cursos fora do sistema regular de ensino.
Dos 8,8 milhões de jovens sem trabalho e fora da escola no levantamento atual, ao menos 60% estavam procurando emprego, fazendo algum curso extracurricular ou dedicados a afazeres domésticos. Apenas 2% afirmaram que não trabalhavam porque não queriam.
Por esse motivo, o boletim adota a denominação “sem-sem”, ou seja, jovens sem trabalho e sem escola, no lugar de “nem-nem”.
Salários dos jovens seguem abaixo da média
A melhora nos indicadores de emprego não eliminou as diferenças nas condições de trabalho entre gerações. No segundo trimestre de 2026, 26,6 milhões de jovens estavam ocupados e recebiam, em média, R$ 2.459 por mês.
O valor é 32% menor que os R$ 3.621 recebidos, em média, pelos trabalhadores com 30 anos ou mais. Entre os jovens ocupados, 41% ganhavam até um salário mínimo.
Quase metade dos jovens ocupados tinha carteira assinada, mas eles permanecem concentrados em postos que, segundo o Dieese, em sua maioria não exigem qualificação formal.
Entre as 20 ocupações mais frequentes nessa faixa etária, nenhuma era de nível técnico ou superior, com destaque para funções como balconista, vendedor de loja, escriturário e trabalhador da construção civil.
Desigualdades persistem dentro da juventude
Os dados do Dieese mostram que a situação dos jovens varia bastante conforme raça e gênero. Entre as mulheres negras, 27,2% estavam sem trabalho e fora da escola, proporção que cai para 10,5% entre os homens não negros, a maior diferença registrada entre os grupos analisados.
Os afazeres domésticos têm peso especialmente alto entre as mulheres negras: 12,7% delas estavam fora do trabalho e da escola justamente por estarem dedicadas a essas atividades.
O padrão reforça uma tendência já observada em levantamentos anteriores do Dieese, que apontam maior dificuldade de inserção no mercado de trabalho entre jovens de famílias de renda mais baixa.