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PF investiga golpe com biometria facial em Uberlândia

Operação cumpre sete mandados contra grupo suspeito de usar dados, fotos e reconhecimento facial de vítimas para liberar financiamentos de veículos.

4 min de leitura
Mulher realizando biometria facial.
Foto: Banco de Imagens/Canva

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (8) uma operação para investigar um grupo suspeito de usar dados pessoais, fotografias e biometria facial de vítimas para obter financiamentos fraudulentos de veículos em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal.

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Segundo a investigação, o esquema começava com uma abordagem presencial às vítimas. Os suspeitos se apresentavam como entregadores de brindes ou encomendas para se aproximar das pessoas e, durante esse contato, coletavam dados cadastrais, fotografias e informações de biometria facial sem que as vítimas percebessem o real objetivo daquela interação.

Como o grupo coletava dados das vítimas

Esse material reunido durante a abordagem era usado, posteriormente e sem autorização, para viabilizar a contratação de financiamentos de veículos em nome das próprias vítimas.

A estratégia aproveitava justamente a confiança gerada por um contato aparentemente inofensivo do dia a dia, como o recebimento de uma encomenda, para captar as informações necessárias e burlar os sistemas de verificação de identidade usados pelas financeiras.

Até o momento, os investigadores identificaram quatro financiamentos considerados fraudulentos, que juntos somam cerca de R$ 453 mil. Os valores liberados pelas financeiras eram depositados na conta de uma empresa que também está sob investigação.

Empresa movimentou valores incompatíveis com seu porte

Laudos periciais mostraram que essa empresa movimentou mais de R$ 7,1 milhões em créditos entre 2022 e 2023, um volume que chamou a atenção dos investigadores justamente por ser muito superior ao porte declarado do negócio, cujo capital social registrado era de apenas R$ 10 mil.

De acordo com a apuração, depois de receber os recursos dos financiamentos fraudulentos, o grupo transferia rapidamente os valores e os distribuía entre diferentes pessoas ligadas ao esquema.

Os investigados podem responder pelos crimes de obtenção fraudulenta de financiamento e associação criminosa, com penas que, em caso de condenação, podem chegar a 11 anos de prisão, além de multa.

A Polícia Federal segue apurando se o grupo está envolvido em outros crimes e se existem mais vítimas ou financiamentos fraudulentos ligados ao esquema.

Golpe do sósia: nova ameaça à biometria facial

Casos como esse mostram que a biometria facial, mesmo sendo uma camada importante de segurança, não é infalível quando o criminoso consegue reunir previamente fotos e dados pessoais da vítima.

Levantamentos recentes do setor financeiro já identificaram uma técnica batizada de golpe do sósia, em que criminosos usam ferramentas de comparação facial para localizar pessoas fisicamente parecidas com eles e tentar se passar por essas vítimas em processos de validação de identidade.

Por isso, especialistas em segurança digital recomendam nunca ceder a pedidos inesperados de reconhecimento facial recebidos por links, mensagens, e-mails ou QR Codes, além de evitar publicar fotos de documentos ou selfies segurando documentos em redes sociais e aplicativos de mensagem, já que esse tipo de material pode ser usado justamente para alimentar fraudes como a identificada em Uberlândia.

O que fazer se um financiamento aparecer em seu nome

Quem suspeitar que teve dados usados de forma indevida para um financiamento de veículo ou qualquer outro contrato pode seguir alguns passos importantes:

  • Registrar boletim de ocorrência o quanto antes, presencialmente ou pela Delegacia Eletrônica do estado.
  • Entrar em contato com a financeira ou instituição envolvida para contestar formalmente a operação e pedir protocolo de atendimento.
  • Consultar o Registrato, ferramenta gratuita do Banco Central, para verificar todos os contratos, empréstimos e financiamentos vinculados ao CPF.
  • Guardar prints, mensagens e qualquer outro registro que comprove o contato inicial do golpe, como no caso da falsa entrega de encomendas.
  • Acompanhar o protocolo junto à instituição financeira até a conclusão da análise.

Vale lembrar que, em casos de contestação de empréstimos e financiamentos, a Justiça já tem entendido que não cabe ao consumidor provar que não fez a operação, já que isso seria exigir a prova de um fato negativo.

Cabe à instituição financeira comprovar a regularidade do contrato questionado, o que reforça a importância de formalizar a contestação assim que a fraude é percebida.

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