Economia

Banco Digimais: PF bloqueia R$ 670 mi do banco de Edir Macedo

Investigação aponta que o Banco Digimais supervalorizou ativos em bilhões e pode transferir o prejuízo ao fundo que garante depósitos no país

2 min de leitura
agente da Polícia Federal durante operação do Banco Digimais
Foto: Polícia Federal/divulgação

A Polícia Federal cumpriu nesta terça-feira (23) mandados de busca contra o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, e obteve autorização judicial para bloquear R$ 670 milhões em bens dos investigados. Para a PF, o prejuízo poderia ser ainda maior: um rombo de R$ 7 bilhões que recairia sobre o fundo que garante depósitos bancários no país.

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Na operação, batizada de Miragem, mais de 50 agentes cumpriram nove mandados contra 10 empresas e 8 pessoas físicas. Macedo está entre os investigados, mas, como reside no exterior, não houve mandado de busca contra ele neste momento.

O que a PF encontrou no Banco Digimais

Relatórios do Banco Central deram origem ao caso. Segundo os federais, ativos comprados por R$ 71 milhões foram lançados nos registros contábeis do banco por R$ 741 milhões, gerando receitas artificiais de centenas de milhões de reais.

A manobra teria sustentado uma aparência de saúde financeira que não correspondia à situação real da instituição. A estratégia, segundo a investigação, se assemelha à do extinto Banco Master: emitir títulos com rentabilidade acima do mercado usando, como respaldo, a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para dar credibilidade às captações.

Os investigados podem responder por gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e empréstimos proibidos por lei, conforme a Lei nº 7.492/1986.

Banco Digimais, BTG e o rombo bilionário

Em abril de 2026, o BTG Pactual anunciou acordo para comprar o controle do Banco Digimais. O problema, segundo a PF, é que fechar o negócio exigiria um aporte de R$ 7 bilhões do FGC, fundo que reembolsa investidores em caso de falência de bancos brasileiros, cobrindo até R$ 250 mil por instituição.

Na prática, isso significa que as dívidas geradas pela gestão do banco seriam pagas com recursos do sistema de proteção dos depositantes, sem que os administradores arquem com o prejuízo que causaram.

O Banco Digimais não se manifestou até a publicação desta matéria.

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