Regional Geral

Empreendedorismo feminino no Vale do Jequitinhonha ganha força

Programa Dona de Mim une microcrédito, capacitação e apoio para transformar mulheres da região em donas do próprio negócio

4 min de leitura
Mulheres mineiras reunidas em painel sobre empreendedorismo feminino
Foto: Divulgação

O Summit Mulheres nas Profissões, realizado nos dias 4 e 5 de agosto no Expo Center Norte, em São Paulo, reuniu 15 mil participantes e mais de 100 palestrantes para discutir carreira, liderança e autonomia financeira das mulheres no mercado de trabalho. O evento, promovido pelo Grupo Mulheres do Brasil, também trouxe painéis sobre liderança feminina na política e serviu de vitrine para iniciativas de empreendedorismo feminino no Vale do Jequitinhonha e em outras regiões do país.

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Entre elas está o Dona de Mim, programa que ganhou uma frente própria dedicada ao empreendedorismo feminino no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. A iniciativa nasceu de uma parceria entre o Grupo Mulheres do Brasil e a mineradora Sigma Lithium, e foi moldada para atender às características e necessidades específicas das mulheres da região.

O Dona de Mim combina três frentes de apoio: orientação financeira, capacitação profissional e microcrédito com juros reduzidos. O objetivo é dar às mulheres da região ferramentas concretas para abrir ou fortalecer pequenos negócios, sem depender de empréstimos bancários tradicionais, que costumam ter taxas de juros altas e exigências difíceis de cumprir para quem está começando um empreendimento.

O atendimento acontece em duas unidades físicas, chamadas Casas Dona de Mim, localizadas nos municípios de Itinga e Araçuaí. Nesses espaços, as participantes recebem mentoria para o desenvolvimento dos negócios, além de acompanhamento próximo durante todo o processo, desde o planejamento inicial até a comercialização dos produtos.

Como funciona o microcrédito para as empreendedoras

O microcrédito oferecido pelo programa segue condições pensadas para reduzir o peso financeiro no início do negócio. Em uma das fases já realizadas, por exemplo, mulheres selecionadas receberam empréstimos de R$ 2 mil cada, com seis meses de carência antes do início dos pagamentos e a possibilidade de parcelar o valor em até 18 vezes, com juros reduzidos em comparação ao mercado tradicional.

Esse modelo permite que as participantes usem o dinheiro para comprar matéria-prima, equipamentos ou ferramentas de trabalho sem comprometer o orçamento familiar logo nos primeiros meses. Entre os setores mais procurados pelas empreendedoras estão artesanato, alimentação, tricô e produção de doces e geleias, atividades que já fazem parte da tradição econômica de muitas famílias do Vale do Jequitinhonha.

Resultados do empreendedorismo feminino no Vale do Jequitinhonha

Desde o início, o Dona de Mim já beneficiou diretamente mais de 2 mil mulheres nos municípios de Itinga e Araçuaí. O impacto, porém, vai além das participantes diretas: como muitas delas são responsáveis pelo sustento de suas famílias, o programa reflete em uma rede maior de pessoas, com estimativa de alcançar de forma indireta mais de 10 mil pessoas na região.

Boa parte dessas mulheres passou a vender seus produtos em feiras e eventos locais, incluindo encontros ligados à cadeia produtiva do lítio na região, o que ajuda a criar novos canais de venda além do comércio tradicional dos municípios. Esse tipo de exposição também aproxima as empreendedoras de investidores e parceiros interessados em apoiar negócios locais.

Nova fase leva o programa para o meio rural

Depois dos primeiros resultados nas áreas urbanas de Itinga e Araçuaí, o programa passou a integrar uma nova frente batizada de Dona de Mim Rural. Essa etapa se conecta a outra iniciativa da região, o Seca Zero, voltada à construção de sistemas de captação de água da chuva e poços artesianos para famílias que enfrentam escassez hídrica.

Com essa integração, mulheres de famílias já atendidas pelo Seca Zero passam a ter acesso também à capacitação e ao microcrédito do Dona de Mim, com foco em atividades como piscicultura e floricultura. A ideia é aproveitar a estrutura hídrica recém-instalada para gerar renda extra a partir da produção de peixes e flores, ampliando as possibilidades de trabalho no meio rural.

O que esperar para os próximos anos?

A meta do programa é ambiciosa: a expectativa é ampliar o número de participantes para 3 mil mulheres no próximo ano, com o objetivo de longo prazo de alcançar até 10 mil participantes diretas e até 50 mil pessoas beneficiadas de forma direta e indireta em toda a região do Vale do Jequitinhonha.

Esse crescimento reforça um modelo que une capacitação, crédito acessível e conhecimento das particularidades locais como caminho para o desenvolvimento econômico regional.

Ao mesmo tempo, mostra como parcerias entre empresas privadas e organizações da sociedade civil podem gerar resultados concretos quando o planejamento leva em conta as necessidades reais de cada comunidade, em vez de aplicar um modelo único para regiões diferentes do país.

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