Um grupo suspeito de aplicar golpes por meio de uma falsa agência de modelos foi preso em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, na tarde de quarta-feira (2). A Polícia Militar foi acionada depois que uma das vítimas desconfiou da abordagem. Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), 12 pessoas foram detidas em flagrante, e 18 possíveis vítimas foram identificadas, sendo que cinco teriam efetivamente sofrido o golpe.
✅ Siga o nosso canal no WhatsApp
Entre os presos estão Marlon de Andrade Lima e João Vitor Silva Martins, apontados como responsáveis pelas empresas investigadas. De acordo com a Sejusp, cinco suspeitos deram entrada no sistema prisional do Ceresp de Juiz de Fora.
Como funcionava o golpe da falsa agência de modelos
Segundo o registro policial, as vítimas — a maioria identificada como mulheres acima de 50 anos —- eram inicialmente abordadas pelo celular. Os suspeitos utilizavam um número com DDD de São Paulo e afirmavam ter encontrado os perfis das mulheres nas redes sociais, indicando que elas teriam potencial para participar de campanhas publicitárias.
Na sequência, elas eram convidadas para uma suposta seletiva presencial. Os encontros aconteciam em salas comerciais alugadas na rua São Mateus, onde havia uma estrutura organizada para transmitir a aparência de uma agência de modelos profissional.
Durante o atendimento, as vítimas preenchiam cadastros, faziam fotografias e passavam por uma entrevista individual. Segundo a investigação, um dos homens envolvidos utilizava um nome falso durante a abordagem.
Vítimas eram atraídas com promessa de cachês
A principal promessa feita pelo grupo era a possibilidade de receber cachês de até R$ 9 mil. O recebimento, segundo os suspeitos, poderia ocorrer no mesmo dia da contratação.
Para ter acesso à suposta oportunidade, entretanto, as interessadas precisavam pagar uma taxa referente a serviços como assessoria de imagem ou produção, com valores que variavam entre R$ 4,2 mil e R$ 9 mil.
A investigação aponta que, em alguns casos, a abordagem se tornava mais agressiva quando as vítimas informavam que não tinham dinheiro ou limite disponível no cartão. Conforme o boletim de ocorrência, os suspeitos chegaram a acessar aplicativos bancários nos celulares das mulheres e há até mesmo casos de empréstimos para providenciar os pagamentos.
Polícia encontrou R$ 17,3 mil em transações
Durante a ocorrência, a polícia identificou R$ 17,3 mil em quatro transações eletrônicas realizadas por meio de máquinas de cartão utilizadas pelo grupo.
Outro elemento que chamou a atenção foi a divergência entre os beneficiários registrados nos comprovantes de pagamento e os nomes que apareciam nos contratos apresentados às vítimas. A Polícia Civil ficará responsável pelo prosseguimento das investigações.