Um operador do setor de qualidade da fábrica da Midea em Pouso Alegre, no Sul de Minas Gerais, foi agredido por um gerente de nacionalidade chinesa em 15 de junho. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Pouso Alegre (Sindmetpa), o trabalhador levou tapas nas costelas e, na sequência, foi atingido nas costas com uma gaxeta, peça de borracha rígida utilizada em geladeiras.
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A agressão só ganhou repercussão quando um áudio gravado pela própria vítima circulou entre os colegas de fábrica. O conteúdo motivou a paralisação de cerca de 1.200 trabalhadores na terça-feira (23/6). O caso foi registrado em boletim de ocorrência e denunciado ao Ministério Público do Trabalho.
Com a mobilização, o Sindmetpa trouxe à tona um conjunto de denúncias que, segundo a entidade, já eram recorrentes na unidade. Entre elas, o caso de uma funcionária que urinou nas próprias roupas após ter a saída do posto negada pela liderança da linha. Uma segunda trabalhadora, com quadro intestinal agudo, passou pelo mesmo constrangimento.
O sindicato classifica o ambiente como “cárcere psicológico”: segundo a entidade, pedidos para ir ao banheiro durante o turno são negados de forma sistemática sob pressão por metas de produção.
Crise na Midea em Pouso Alegre chega ao Ministério do Trabalho
O gerente acusado foi afastado preventivamente pela empresa logo após a repercussão do caso. A produção voltou ao normal, mas a tensão levou o Ministério do Trabalho a convocar uma audiência emergencial em Belo Horizonte na quarta-feira (24/6).
Do encontro saiu a formação de um grupo com integrantes do governo, do sindicato, da Midea e dos próprios funcionários, encarregado de apurar os relatos e apresentar propostas para a unidade.
Greve na mesa e lista de exigências
A negociação, porém, ainda não está encerrada. Sindicato e empresa se reúnem nesta quinta-feira (25/6) para uma nova rodada de tratativas. Sem acordo, a categoria pode decretar greve ao fim do prazo legal de 72 horas.
O Sindmetpa exige estabilidade no emprego para o trabalhador agredido e suporte psicológico aos envolvidos. Na pauta econômica, cobra reajuste no vale-alimentação, avanços no plano de cargos e salários e fechamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de 2026.
Posicionamento da Midea
Em nota, a empresa afirmou que as denúncias estão sendo apuradas com seriedade e imparcialidade e que mantém colaboração com os órgãos responsáveis. A multinacional reforçou que não compactua com violência, assédio ou discriminação.