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Gerente agride operário e nega banheiro a trabalhadoras na fábrica da Midea em Pouso Alegre

Produção foi retomada, mas Ministério do Trabalho intervém e sindicato mantém indicativo de greve após denúncias de abusos na Midea em Pouso Alegre

3 min de leitura
Trabalhadores da Midea em Pouso Alegre protestam em frente à fábrica durante paralisação
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Um operador do setor de qualidade da fábrica da Midea em Pouso Alegre, no Sul de Minas Gerais, foi agredido por um gerente de nacionalidade chinesa em 15 de junho. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Pouso Alegre (Sindmetpa), o trabalhador levou tapas nas costelas e, na sequência, foi atingido nas costas com uma gaxeta, peça de borracha rígida utilizada em geladeiras.

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A agressão só ganhou repercussão quando um áudio gravado pela própria vítima circulou entre os colegas de fábrica. O conteúdo motivou a paralisação de cerca de 1.200 trabalhadores na terça-feira (23/6). O caso foi registrado em boletim de ocorrência e denunciado ao Ministério Público do Trabalho.

Com a mobilização, o Sindmetpa trouxe à tona um conjunto de denúncias que, segundo a entidade, já eram recorrentes na unidade. Entre elas, o caso de uma funcionária que urinou nas próprias roupas após ter a saída do posto negada pela liderança da linha. Uma segunda trabalhadora, com quadro intestinal agudo, passou pelo mesmo constrangimento.

O sindicato classifica o ambiente como “cárcere psicológico”: segundo a entidade, pedidos para ir ao banheiro durante o turno são negados de forma sistemática sob pressão por metas de produção.

Crise na Midea em Pouso Alegre chega ao Ministério do Trabalho 

O gerente acusado foi afastado preventivamente pela empresa logo após a repercussão do caso. A produção voltou ao normal, mas a tensão levou o Ministério do Trabalho a convocar uma audiência emergencial em Belo Horizonte na quarta-feira (24/6).

Do encontro saiu a formação de um grupo com integrantes do governo, do sindicato, da Midea e dos próprios funcionários, encarregado de apurar os relatos e apresentar propostas para a unidade.

Greve na mesa e lista de exigências

A negociação, porém, ainda não está encerrada. Sindicato e empresa se reúnem nesta quinta-feira (25/6) para uma nova rodada de tratativas. Sem acordo, a categoria pode decretar greve ao fim do prazo legal de 72 horas.

O Sindmetpa exige estabilidade no emprego para o trabalhador agredido e suporte psicológico aos envolvidos. Na pauta econômica, cobra reajuste no vale-alimentação, avanços no plano de cargos e salários e fechamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de 2026. 

Posicionamento da Midea

Em nota, a empresa afirmou que as denúncias estão sendo apuradas com seriedade e imparcialidade e que mantém colaboração com os órgãos responsáveis. A multinacional reforçou que não compactua com violência, assédio ou discriminação.

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