O Brasil tem 213 barragens em situação crítica espalhadas por 19 estados e o Distrito Federal, segundo o Relatório de Segurança de Barragens 2026, divulgado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).
✅ Siga o nosso canal no WhatsApp
Os cinco estados com maior número de estruturas na lista são Rio Grande do Norte (36), São Paulo (26), Pernambuco (23), Pará (23) e Minas Gerais (21).
O que coloca barragens em situação crítica
Uma barragem é classificada como prioritária quando apresenta deterioração física comprovada ou quando o responsável pela estrutura descumpre as regras da Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB), lei federal de 2010 que define os padrões mínimos de monitoramento e manutenção.
Das 404 barragens indicadas pelos órgãos fiscalizadores, somente 213 (53%) atenderam ao critério mais rigoroso da ANA: alto potencial de dano combinado com estrutura em categoria de risco elevada. As outras 191 foram descartadas por não cumprirem essa combinação.
A mineração lidera entre os setores com 55 das 213 estruturas em situação crítica (26%). Barragens de abastecimento urbano somam 51 casos (24%) e as de irrigação, 29 (14%).
18 acidentes e menos fiscais
Em 2025, foram registrados 18 acidentes e 23 incidentes com barragens no país, sem mortes. Os números caíram em relação ao ano anterior, mas ainda provocaram evacuações e danos a rodovias e pontes.
O Brasil enfrenta esse cenário com menos gente para fiscalizar. Pela primeira vez desde o rompimento em Brumadinho (MG), em 2019, o número de profissionais na área diminuiu. Dos 33 órgãos responsáveis, apenas 161 técnicos trabalham exclusivamente com segurança de barragens. O déficit para atingir o mínimo recomendado em 28 desses órgãos chega a 221 profissionais.
Quase metade das barragens do país não tem classificação definida
Parte relevante das barragens não foram classificadas. O cadastro cresceu de 28.085 para 29.761 estruturas em 2025, mas 14.355 delas, 48% do total, permanecem sem classificação porque os órgãos responsáveis não preencheram os dados mínimos exigidos.
Das 18 barragens que sofreram acidentes no último ano, 7 (39%) não estavam sequer registradas no Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB).
Entre as já classificadas, 30% do total cumprem os padrões vigentes. Outros 22% apresentam risco alto ou médio sem atender às exigências de segurança.
Em 2025, o governo federal pagou menos de R$ 104 milhões em ações na área, valor 27% abaixo do previsto, sendo que 72% veio de recursos de anos anteriores.