Economia

Café brasileiro pode perder mercado europeu por causa de novas regras da UE

Estudo da UFRJ aponta que exigências de rastreabilidade do café brasileiro impostas pelo bloco europeu podem excluir pequenos e micro cafeicultores do principal mercado comprador

2 min de leitura
Grãos de café brasileiro em processo de torra; novas regras da UE podem dificultar exportação de pequenos produtores
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Um estudo do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), divulgado nesta sexta-feira (26), aponta que pequenos cafeicultores brasileiros podem ter mais dificuldades para vender a produção ao mercado europeu a partir de 2027.

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O motivo é o Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), que exige comprovação de que os produtos exportados não têm origem em áreas desmatadas após dezembro de 2020.

Segundo o levantamento, 51,2% da produção brasileira de café teve como destino a UE em 2024. Entre as sete commodities mapeadas, o café é a mais dependente do mercado europeu.

A pesquisa também aponta que produtores de menor porte têm dificuldade de cumprir as exigências de rastreabilidade e verificação ambiental do bloco. Parte deles não tem regularização fundiária completa nem recursos técnicos para comprovar a origem sustentável do café. 

Pequenos cafeicultores podem perder espaço para grandes produtores

O EUDR entra em vigor de forma gradual: em dezembro de 2026 para médios e grandes produtores e em junho de 2027 para os menores.

Em entrevista à Agência Brasil, a economista Kethelyn Ferreira, uma das autoras da pesquisa, afirmou que médios e grandes produtores têm melhores condições técnicas, financeiras e administrativas para implantar sistemas de rastreabilidade, o que pode concentrar as exportações neste grupo. 

Ela reconhece que o EUDR tem objetivo ambiental legítimo, mas aponta que, suas exigências levantam questionamentos sobre impactos potencialmente discriminatórios a países exportadores como o Brasil, funcionando como uma barreira não tarifária ao comércio.

Regra pode deslocar compras europeias para o Vietnã

O estudo também identifica risco de migração de importações europeias para países classificados como de “baixo risco”. O Vietnã, segundo maior exportador de café para a UE com 9,1% das compras do bloco em 2024, é citado como possível destino dessa mudança. 

Pesquisadoras propõem saídas para pequenos cafeicultores

Ferreira e a economista Marta Castilho, que também assina o estudo, avaliam que o adiamento das regras cria uma oportunidade para o Brasil buscar acordos mais favoráveis com o bloco europeu antes que as restrições entrem em plena vigência. 

Entre as propostas estão o reconhecimento de sistemas brasileiros de monitoramento já em operação, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), e a criação de fundos europeus de apoio técnico e financeiro direcionados a pequenos cafeicultores de países em desenvolvimento.

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