Médicos oncologistas do Paraná passaram a usar inteligência artificial no SUS para analisar casos complexos de câncer. A iniciativa é inédita no Brasil e tem origem em uma parceria internacional, reunindo a infraestrutura de nuvem do Google Cloud e a experiência clínica do Princess Máxima Center, centro holandês dedicado ao câncer pediátrico.
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A plataforma, batizada de Projeto Capricórnio, já opera em dois hospitais vinculados ao Sistema Único de Saúde, o Hospital do Câncer de Londrina e o Hospital São Vicente, em Guarapuava.
Como funciona o Projeto Capricórnio
O médico descreve o caso clínico e o modelo Gemini estrutura a consulta. Em seguida, o sistema acessa bases como o PubMed, que cataloga mais de 35 milhões de publicações, ordenando os resultados por relevância e impacto científico. O sistema também cruza essas informações com dados clínicos sem identificação dos pacientes, ampliando o escopo da análise.
A rotina anterior exigia que a própria equipe médica conduzisse buscas manuais em diferentes bases científicas, processo que podia esbarrar em artigos pagos ou termos técnicos diferentes entre publicações. O Projeto Capricórnio reduz esse trabalho para 15 a 20 minutos.
Inteligência artificial no SUS não substitui o médico
O sistema não define condutas clínicas. A IA mapeia o que a literatura científica registrou sobre casos semelhantes, riscos e benefícios documentados, mas o oncologista mantém controle total sobre diagnóstico e tratamento.
O médico Nelson Morozini, do Hospital São Vicente, descreveu à Exame a tecnologia como um segundo cérebro: “Consegue reunir rapidamente informações que levaríamos muito mais tempo para localizar, mas a decisão continua sendo sempre da equipe médica.”
Os resultados práticos já aparecem nos dois hospitais.
Em um dos casos relatados, tumores de pele levaram a equipe a consultar a ferramenta, que sinalizou uma síndrome hereditária rara. O achado redirecionou a abordagem cirúrgica e eliminou procedimentos que seriam desnecessários.
Em outro atendimento, um paciente apresentava tumor agressivo de origem indeterminada. O cruzamento de estudos internacionais orientou a investigação, confirmou o diagnóstico e permitiu um protocolo adaptado ao perfil do paciente.
Expansão prevista para outras especialidades
Os resultados nas duas unidades vão definir quais outros hospitais da rede estadual receberão a tecnologia. Morozini aponta neurologia e cardiologia como as próximas áreas com potencial para usar a ferramenta.