A inflação oficial de agosto fechou em -0,32%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma queda geral nos preços, chamada de deflação, e é a menor taxa registrada para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desde agosto de 2022.
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A principal razão para a queda foi o desconto aplicado nas contas de energia elétrica em agosto. Alimentos, combustíveis, passagens aéreas e outros itens também contribuíram para o resultado.
Para Minas Gerais, o cenário tem impacto direto porque Belo Horizonte está entre as regiões utilizadas pelo IBGE no cálculo da inflação oficial de agosto e também registrou queda no custo de vida durante o mês.
O que fez a inflação oficial de agosto cair
O grupo Habitação registrou queda de 1,87% em agosto, o maior impacto entre os grupos pesquisados. Dentro desse grupo, a principal redução veio da energia elétrica residencial, que ficou 7,63% mais barata no mês.
A redução ocorreu por causa do chamado Bônus de Itaipu, desconto aplicado nas contas de luz emitidas em agosto. Os recursos vêm do saldo positivo da comercialização da energia produzida pela usina hidrelétrica de Itaipu e foram repassados aos consumidores que se enquadraram nas regras estabelecidas.
O desconto beneficiou consumidores residenciais e rurais em todo o país. Apesar da redução na fatura, a bandeira tarifária amarela continuou em vigor durante agosto, com cobrança adicional pelo consumo de energia.
A queda na conta de luz, porém, tem caráter temporário. O bônus foi aplicado especificamente nas faturas emitidas em agosto e não representa uma redução permanente na tarifa de energia.
Alimentos e transportes também ficaram mais baratos
Além da energia elétrica, outros dois grupos importantes ajudaram a reduzir a inflação oficial de agosto: Alimentação e bebidas e Transportes.
O grupo Alimentação e bebidas apresentou queda de 0,34%. Entre os produtos que ficaram mais baratos estão alimentos como batata-inglesa, cenoura, cebola e tomate.
A redução de preços desses produtos já vinha sendo observada nos meses anteriores, influenciada principalmente pelo aumento da oferta.
Nem todos os alimentos, no entanto, tiveram queda. Produtos como leite longa vida, frutas e carnes apresentaram aumento em agosto. Por isso, o resultado negativo do grupo não significa que todos os itens do supermercado ficaram mais baratos.
O grupo Transportes caiu 0,86%. As passagens aéreas tiveram redução de 13,17%, enquanto os combustíveis também ajudaram a puxar o índice para baixo. O etanol apresentou queda de 3,95% e a gasolina ficou 0,59% mais barata na média nacional.
Belo Horizonte também registrou queda no custo de vida
Em Belo Horizonte, os dados locais também apontaram redução no custo de vida no fechamento de agosto. O IPCA-BH, calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead), registrou queda de 0,16%.
Para as famílias com renda entre um e cinco salários mínimos, o IPCR-BH caiu 0,04% no período. Os dados mostram que a redução da inflação nacional também encontrou reflexos na capital mineira, embora os indicadores utilizados pelo Ipead tenham metodologia própria.
Entre os itens que mais contribuíram para a queda do índice em Belo Horizonte estão excursões, refeição fora de casa, tapetes, passagens aéreas e automóveis usados.
Por outro lado, alguns produtos e serviços ficaram mais caros na capital. O cigarro teve alta de 19%, enquanto condomínio residencial, festas de aniversário e lanches também contribuíram para aumentar o custo de vida no mês.
Resultado nacional é menor que o esperado
A queda de 0,32% no IPCA foi maior do que a esperada pelo mercado financeiro. A previsão era de uma redução próxima de 0,28% ou 0,29%.
Com o resultado de agosto, a inflação acumulada em 2026 chegou a 3,11%. Nos últimos 12 meses, o índice acumulou alta de 4,22%, abaixo dos 4,44% registrados no acumulado até julho.
A meta oficial de inflação é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Isso significa que o índice pode variar entre 1,5% e 4,5% sem ultrapassar o limite estabelecido.
A inflação acumulada em 12 meses, portanto, voltou a ficar dentro desse intervalo.
Queda nos preços não significa redução permanente
O resultado da inflação oficial de agosto foi influenciado por fatores que não devem necessariamente continuar nos próximos meses. O principal deles é o Bônus de Itaipu, responsável por grande parte da queda na conta de luz.
Em setembro, as faturas deixam de contar com esse desconto específico. Por isso, o resultado negativo de agosto não significa que os preços continuarão caindo na mesma proporção.
A evolução da inflação nos próximos meses também dependerá dos preços dos alimentos, combustíveis, energia elétrica e serviços.
Para Minas Gerais, a situação é acompanhada tanto pelos dados nacionais do IPCA quanto pelos levantamentos locais realizados em Belo Horizonte.