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Antigo centro de repressão da ditadura em BH abriga feira, shows e grafite no sábado (26)

Espaço ocupado por movimentos sociais desde 2025 já recebeu mais de 30 mil pessoas em atividades culturais

2 min de leitura
Fachada do Memorial dos Direitos Humanos em BH, na Avenida Afonso Pena, com grafites na lateral e faixa "Casa da Liberdade" na entrada
Fachada do Memorial dos Direitos Humanos em BH | Foto: Paulo SP/Wikimedia Commons

O Memorial dos Direitos Humanos em Belo Horizonte abre as portas neste sábado (26) com entrada gratuita num prédio que serviu à repressão durante a ditadura militar.

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Das 10h às 18h, o espaço na Avenida Afonso Pena, 2.351, integra a Primavera dos Museus, iniciativa nacional de acesso gratuito a espaços culturais. 

Na fachada, 2Lipa pinta ao vivo o prédio renovado, enquanto Goma (Coletivo Garatuja), Marola, Najma e Thai realizam grafites no interior. Às 10h, a visita mediada percorre as violações cometidas no prédio durante o regime militar. A grade inclui ainda Batalha de Slam do Coletivo Brota, shows de Sandrão Eletrorgânico e DJ BDT Selectah, e a Feira de Artesanato e Quitandas do Mãos Solidárias, do MST.

A partir das 11h, a galeria do quarto andar promove o Grande Saldão Piolho Nababo, uma liquidação de obras com preços reduzidos. Os recursos arrecadados serão destinados à manutenção da Associação do Memorial dos Direitos Humanos Ocupado, entidade que coordena as atividades no espaço.

Memorial dos Direitos Humanos em BH passou de sede do Dops a espaço cultural

O prédio abrigou o Dops, o Departamento de Ordem Política e Social, e o DOI-Codi, órgão de inteligência e repressão do regime militar. Em dezembro de 2018, o espaço abriu ao público sob o nome de memorial, mas o funcionamento regular nunca se consolidou. Em 1º de abril de 2025, movimentos sociais ocuparam o prédio para pressionar pela implantação definitiva do espaço, respaldados por legislação estadual de 2000.

Desde então, o espaço acumula aproximadamente 10 mil participantes em visitas mediadas. O público nas demais atividades ultrapassou 30 mil pessoas, incluindo ações no entorno do edifício. A entidade foi formalizada em abril de 2026 a partir dos coletivos que lideram a mobilização no espaço.

O reconhecimento formal avança na mesma direção. A proteção por tombamento já foi garantida pelo patrimônio municipal e pelo patrimônio estadual, e o edifício aguarda reconhecimento pelo governo federal. A pauta já chegou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais, onde foi discutida com participação de órgãos públicos.

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