A SpaceX entrou para a história do mercado financeiro nesta sexta-feira ao realizar o maior IPO já registrado. A empresa fundada por Elon Musk em 2002 vendeu 555,6 milhões de ações a US$ 135 cada na Nasdaq, sob o ticker SPCX, captando cerca de US$ 75 bilhões. O valor mais que dobra o recorde anterior, pertencente à Saudi Aramco, que levantou US$ 29,4 bilhões em 2019.
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Com a precificação, a SpaceX passou a valer aproximadamente US$ 1,77 trilhão em bolsa, superando a Tesla e entrando diretamente no grupo das dez maiores companhias de capital aberto do mundo. O patrimônio de Musk, que detém cerca de 40% das ações, ultrapassou a marca de US$ 1 trilhão ainda durante o pregão, tornando-o oficialmente o primeiro trilionário da história.
O discurso de Musk
Participando remotamente de Starbase, no Texas, Musk fez um discurso emocionado momentos antes da abertura do pregão em Nova York, conduzida pela presidente da SpaceX, Gwynne Shotwell. Ele relembrou as origens da empresa e destacou a improbabilidade do sucesso:
“Eu dava à SpaceX menos de 10% de chance de sucesso. Mas acreditava que, se nenhuma nova empresa entrasse no setor espacial, nunca nos tornaríamos uma civilização multiplanetária.”
Musk afirmou que a missão da SpaceX é transformar a ficção científica em realidade, oferecendo viagens espaciais não apenas para astronautas, mas para qualquer pessoa interessada em ir à Lua, a Marte ou além.
Uma empresa transformada
A SpaceX que estreou na Nasdaq é muito diferente da pequena companhia fundada em um armazém na Califórnia em 2002. Em fevereiro de 2026, Musk incorporou à empresa sua startup de inteligência artificial, a xAI, em um negócio que avaliou a combinação em US$ 1,25 trilhão. Com isso, os investidores que compraram ações da SpaceX passaram a ter exposição simultânea a foguetes, à rede de internet via satélite Starlink, ao chatbot Grok e à rede social X (antigo Twitter).
A Starlink é o motor financeiro do grupo, tendo gerado receita de US$ 11,4 bilhões em 2025 e já contando com mais de 10 milhões de assinantes. Os negócios de lançamento espacial e de inteligência artificial ainda operam no vermelho, e o próprio prospecto da empresa admite que ela pode nunca se tornar lucrativa. Apesar disso, a demanda pelo IPO foi esmagadora: as ordens de compra somaram mais de US$ 250 bilhões, quase três vezes e meia o valor captado.
As ações abriram em torno de US$ 174, cerca de 29% acima do preço de oferta, colocando a empresa no caminho para superar a marca de US$ 2 trilhões de valor de mercado já no primeiro dia de negociações.
Acesso para investidores brasileiros
Além da listagem na Nasdaq, a B3 disponibilizou simultaneamente o BDR SPCX34, permitindo que investidores brasileiros adquiram exposição à SpaceX diretamente pelo home broker de corretoras nacionais, em reais e sem necessidade de conta no exterior. O BTG Pactual foi o único banco latino-americano no consórcio de 21 coordenadores globais do IPO.
Impacto no mercado
A abertura de capital da SpaceX é vista como o prelúdio de uma nova safra de megaIPOs tecnológicos. Empresas como Anthropic e OpenAI são apontadas como as próximas candidatas, com avaliações superiores a US$ 1 trilhão cada. Analistas destacam que o sucesso da SpaceX pode abrir caminho para uma nova era de companhias de tecnologia e inteligência artificial com capitalizações de mercado inéditas.
Contexto histórico
O IPO marca um ponto de virada para a SpaceX, que começou com lançamentos modestos e enfrentou inúmeras dificuldades técnicas e financeiras. Hoje, a empresa é responsável por centenas de lançamentos orbitais, pela maior constelação de satélites de comunicação do mundo e por projetos ambiciosos de exploração espacial. A integração com inteligência artificial e redes sociais amplia ainda mais seu alcance, transformando-a em um conglomerado que une espaço, tecnologia e comunicação.