Conheça os erros que podem levar à rescisão do contrato de estágio e saiba como evitá-los
Visto como uma das principais portas de entrada para o mercado de trabalho, o estágio é fundamental para que os mais jovens conheçam melhor a profissão que pretendem seguir, a cultura da empresa e a dinâmica do trabalho, além de representar um período de troca de conhecimento com profissionais mais experientes.
Por outro lado, se o estagiário não estiver ciente do que a empresa espera dele, a oportunidade pode se transformar em frustração. A legislação trabalhista brasileira não prevê demissão de estagiário, pois ele não é contratado pelo regime celetista, mas sim sob as diretrizes de um contrato de estágio, regulamentado pela Lei do Estágio (Lei nº 11.788).
Esse contrato, no entanto, pode ser rescindido caso a empresa avalie que o desempenho ou o comportamento do estagiário não correspondam às regras ou às expectativas.
A gerente de contratos da Companhia de Estágios, Jéssica Gondim, destaca alguns erros críticos que podem levar à rescisão do contrato de estágio:
- Problemas de postura e convivência
- Falta de comunicação
- Não se fazer presente
- Não entender o impacto do próprio trabalho
- Resistência a tarefas operacionais
- Dependência excessiva do gestor
Muitos estagiários executam apenas as tarefas previstas e aguardam novas orientações, sem buscar aprendizado adicional ou demonstrar interesse e iniciativa. Inicialmente, essa postura pode ser aceita, até pela insegurança, mas é preciso superá-la com o tempo. A proatividade pesa especialmente quando há poucos espaços para efetivação.
Ter em mente que competência técnica não sustenta a permanência quando faltam atitudes profissionais no dia a dia é essencial para o sucesso no estágio. Pequenos comportamentos, muitas vezes vistos como normais, podem desgastar a imagem do estagiário. Chegar e se jogar na cadeira, usar linguagem inadequada, exagerar na informalidade, se comunicar de maneira desrespeitosa ou comentar sobre colegas e líderes em tom de fofoca são exemplos que pesam negativamente.
As empresas buscam estagiários que, além de aprender, saibam representar bem a equipe e construir relações saudáveis no trabalho. Muitos estagiários acreditam que perguntar demonstra fraqueza quando, na prática, o silêncio costuma gerar erros maiores. Ficar com dúvidas, evitar pedir ajuda ou executar uma tarefa sem clareza pode levar a retrabalho, atrasos e falhas que poderiam ser evitadas com uma simples pergunta.
No ambiente de trabalho, discrição em excesso pode se transformar em invisibilidade. Estagiários que participam pouco, não se posicionam, evitam interações ou permanecem sempre em segundo plano, acabam fora do radar, especialmente quando surgem novas oportunidades. Isso aparece em atitudes simples: deixar a câmera fechada em reuniões quando todos estão visíveis, não contribuir em conversas, ficar sem interagir com outras áreas ou limitar o contato apenas às tarefas imediatas.
Presença não significa falar o tempo todo, mas demonstrar interesse, participar quando houver espaço e construir relações. Fazer a tarefa sem entender o porquê limita o crescimento. O estagiário precisa saber como o que ele faz afeta a equipe, a área e a empresa.
A dica é, sempre que possível, buscar compreender cada etapa do trabalho: de onde vem a demanda, para onde vai, qual é o seu impacto e quem depende daquele resultado. Nem todo trabalho será estimulante o tempo todo. Parte do aprendizado envolve também atividades repetitivas ou operacionais, e rejeitá-las pode sinalizar desalinhamento com a realidade da função. Estagiários que querem escolher apenas tarefas interessantes tendem a frustrar expectativas da equipe.
Esperar orientação para executar todas as demandas pode passar a imagem de insegurança e pouca iniciativa. O gestor também tem suas próprias responsabilidades a cumprir. Por isso, o estagiário precisa desenvolver autonomia com o passar do tempo, para dar continuidade às atividades do dia a dia, buscar informações e resolver questões simples sem depender de orientação constante.
Outros pontos de destaque são:
- dificuldade de trabalhar em equipe;
- resistência a mudanças;
- postura defensiva diante de feedbacks;
- pouca responsabilidade com horários e prazos;
- faltas injustificadas e falhas na comunicação;
- quebra de confidencialidade;
- uso indevido de recursos da empresa;
- desrespeito aos colegas.
“É sempre possível se aprimorar. Isso passa por aprender a ouvir feedbacks com abertura, refletir sobre os pontos de melhoria e ajustar atitudes no dia a dia, demonstrando comprometimento. Mudanças de postura, organização, responsabilidade e comunicação podem transformar a percepção sobre o estagiário e fazer o que parecia um risco de desligamento se tornar uma oportunidade concreta de efetivação”, destaca Jéssica Gondim.
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