Gestão

Por que a Geração Z não quer ser chefe? Entenda o ‘conscious unbossing’

Jovens profissionais priorizam propósito, flexibilidade e impacto real no trabalho
Por que a Geração Z não quer ser chefe? Entenda o ‘conscious unbossing’
Foto: Reprodução Adobe Stock

Em algumas obras de ficção, a figura do chefe é retratada de forma depreciativa e até caricata. Títulos como O Diabo Veste Prada, com a temida Miranda Priestly (Meryl Streep), e a série The Office, com o excêntrico e controverso Michael Scott (Steve Carell), são alguns exemplos. Mas, para além do audiovisual, há uma parcela da população que também parece rejeitar os cargos diretivos nas empresas: a geração Z. Esse fenômeno global já tem até um nome: conscious unbossing (a escolha consciente por não chefiar).

O movimento aponta que os mais jovens estão priorizando o bem-estar, a autonomia, a flexibilidade e a sensação de impacto real em detrimento do poder e da autoridade. Com isso, muitos rejeitam cargos de chefia e buscam estruturas mais horizontais nas organizações.

A Geração Z não está fugindo da responsabilidade; ela está rejeitando o peso do micromanagement e o fardo da hierarquia rígida que historicamente adoeceu as gerações anteriores. Para eles, ser líder não é ocupar um cargo de autoridade, mas ter autonomia e recursos para gerar impacto. O que buscam é o ‘liderar pelo propósito’, e não o ‘mandar pelo poder’”, explica a consultora especializada em Gestão Estratégica de Pessoas, Edith Cardoso.

Às empresas, segundo a especialista, é imprescindível adaptar suas trilhas de carreira para valorizar o protagonismo, sem necessariamente associá-lo ao comando ou à figura tradicional do chefe.

O problema da ausência de novos chefes e como resolvê-lo

A mudança de mindset cria um déficit geracional na sucessão de cargos de gestão. Se as empresas não oferecerem caminhos de crescimento alinhados aos valores da Geração Z, como flexibilidade, valorização da saúde mental e projetos com forte impacto social e ambiental, correm o risco de perder seus melhores talentos para carreiras autônomas ou organizações com culturas mais horizontais.

“É hora de as organizações criarem ‘lideranças de projeto’ e ‘lideranças técnicas’, trilhas de ascensão que remuneram a expertise e o protagonismo sem exigir a gestão formal de pessoas”, pontua Edith Cardoso.

A solução também passa pelos seguintes pontos, de acordo com a consultora:

  • Revisão das estruturas: criar caminhos de carreira paralelos (especialista versus gestor), com remuneração e status equivalentes.
  • Liderança consciente: treinamentos focados em soft skills, como mentoria, comunicação não violenta e gestão empática, essenciais para atrair e reter a Geração Z.
  • Flexibilidade extrema: oferecer autonomia real sobre horários e locais de trabalho, tratando a confiança como a nova moeda de troca.

Colaborador

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