Condenação e aplausos na América Latina após EUA capturarem Maduro na Venezuela
Santiago/São Paulo – Os líderes latino-americanos ficaram divididos entre a condenação e a celebração após um ataque surpresa à Venezuela na madrugada de sábado (3) que, segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, resultou na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro.
Embora grande parte da região há muito tempo se mostre cautelosa com o retorno das intervenções dos EUA ao longo do século 20 que ajudaram a instalar governos autoritários do Chile a Honduras, Maduro — que presidiu o colapso social e econômico de seu país — era um líder cada vez mais impopular e isolado.
Muitos países da América Latina também tiveram uma mudança nas eleições recentes para governos mais à direita, muitos deles cujos líderes veem os regimes militares apoiados pelos EUA no século passado como baluartes necessários contra o socialismo.
Em um sinal do sofrimento econômico enfrentado sob Maduro, quase 8 milhões de venezuelanos fugiram do país desde 2018, sendo que 85% deles migraram para vizinhos na América Latina e no Caribe, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações, da ONU.
Muitos países da região sofrem com crescimento do crime organizado nos últimos anos e o espectro da gangue venezuelana Tren de Aragua pairou sobre a mente dos eleitores, levando a um aumento no número de políticos que prometem reprimir o crime e a imigração.
Embora poucos líderes derramem lágrimas com a destituição de Maduro, os governos da região reagirão de acordo com as linhas políticas, disse Steven Levitsky, professor e diretor do Centro David Rockefeller de Estudos Latino-Americanos de Harvard.
“Acredito que os governos de direita aplaudirão porque é isso que eles fazem. Os governos de esquerda criticarão, porque como não o fariam?”, afirmou Levitsky.
Reações divididas por ideologia
A condenação mais forte do ataque veio em uma série de publicações no X do presidente da vizinha Colômbia, Gustavo Petro, um esquerdista que frequentemente entra em conflito com Trump e também foi ameaçado pelo presidente dos EUA.
“O governo colombiano rejeita a agressão contra a soberania da Venezuela e da América Latina”, disse Petro em uma mensagem, enquanto pedia uma reunião imediata do Conselho de Segurança das Nações Unidas, do qual a Colômbia é membro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também fez críticas à ação dos EUA.
“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, afirmou Lula.
Gabriel Boric, presidente do Chile que está deixando o cargo, condenou o ataque, mas o presidente eleito José Antonio Kast, que chegou ao poder prometendo reprimir a imigração e o crime, disse em um post no X que a prisão de Maduro era uma ótima notícia para a região.
“Agora começa uma tarefa maior. Os governos da América Latina precisam garantir que todo o aparato do regime abandone o poder e seja responsabilizado”, declarou Kast, que tomará posse em 11 de março.
Argentina e Equador apoiam ação
O presidente da Argentina, Javier Milei, o aliado mais próximo de Trump na região, há muito tempo critica Maduro e postou vídeos e declarações no X a favor do ataque.
No Equador, o presidente de direita Daniel Noboa disse que os venezuelanos que se opõem a Maduro e seu padrinho político Hugo Chávez têm um aliado no Equador.
“Todos os narcochavistas criminosos terão seu momento”, afirmou Noboa no X. “Sua estrutura finalmente entrará em colapso em todo o continente.”
Protestos a favor e contra os ataques na Venezuela foram programados em Buenos Aires e em outras cidades da região.
Reportagem distribuída pela Reuters
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