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Macron anuncia que França votará contra acordo UE-Mercosul

A decisão vem horas após a Irlanda anunciar que também votará contra acordo entre os blocos econômicos
Macron anuncia que França votará contra acordo UE-Mercosul
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou nesta quinta-feira (8) que o país votará contra o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, alegando ‘rejeição política unânime’.


Apesar dos “avanços inegáveis” que “devem ser reconhecidos pela Comissão Europeia”, “deve-se notar a rejeição política unânime do acordo, como claramente demonstrado pelos recentes debates na Assembleia Nacional e no Senado”, afirmou o presidente francês em um comunicado à imprensa.


“A fase de assinatura do acordo não é o fim da história. Continuarei lutando pela implementação plena e concreta dos compromissos assumidos pela Comissão Europeia e para proteger nossos agricultores”, acrescentou Macron.


A decisão vem horas após a Irlanda anunciar que também votará contra acordo entre os blocos econômicos.


Em dezembro, o acordo já tinha a oposição de Itália França, Hungria e Polônia, o que levou a União Europeia a optar pelo adiamento da assinatura que esperava fazer no dia 20, durante a cúpula do Mercosul, realizada em Foz do Iguaçu (PR).


Mais cedo, agricultores franceses ocuparam com tratores pontos icônicos de Paris, como o Arco do Triunfo e a Torre Eiffel, e quase agrediram a presidente da Assembleia Nacional, Yaël Braun-Pivet.
Os ruralistas do país acusam o governo Emmanuel Macron de não prestar atenção ao setor, em crise há anos. A despeito da forte oposição à costura do acordo com os sul-americanos em Bruxelas, o esforço não é considerado suficiente no cenário doméstico francês.


A votação dos europeus sobre o acordo está prevista para sexta-feira (9), e o voto da Itália é considerado como decisivo.


Na segunda-feira (5), a agência de notícias Bloomberg afirmou que o governo italiano estava propenso a aceitar o tratado. Porém, nesta quinta-feira (8), o ministro da Agricultura, Francesco Lollobrigida, condicionou o aval a uma mudança nas cláusulas de salvaguarda.

Revoltados com Mercosul, agricultores franceses ocupam Paris

Revoltados com a iminente assinatura do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, agricultores franceses ocuparam com tratores na manhã desta quinta-feira (8) pontos icônicos de Paris, como o Arco do Triunfo e a Torre Eiffel, e quase agrediram a presidente da Assembleia Nacional, o parlamento francês, Yaël Braun-Pivet.


Braun-Pivet foi vaiada ao sair das dependências da Assembleia para encontrar os agricultores, do lado de fora. Uma manifestante a acusou de “traidora” e outro jogou um líquido sobre ela, obrigando os seguranças a retirá-la às pressas.


Mesmo assim, Braun-Pivet disse apoiar a causa dos agricultores, e que iria recebê-los à tarde. “Os franceses têm o direito de exprimir sua cólera”, afirmou. Isso demonstra o quanto o tema é delicado para os políticos do país, devido à popularidade da categoria junto à opinião pública.


Por sua vez, o porta-voz do partido Reunião Nacional, de ultradireita, Laurent Jacobelli, foi efusivamente recebido pelos agricultores no mesmo local.


Os manifestantes derrubaram uma árvore no oeste de Paris, para interromper o trânsito. Oito agricultores foram presos, mas a polícia pouco fez para reprimir a ocupação das ruas da capital.
O Ministério do Interior informou à AFP que cerca de 100 tratores estão em Paris, “mas a maioria está bloqueada nos portões da capital”.


A porta-voz do governo, Maud Bregeon, qualificou de “inaceitável” o comportamento dos manifestantes, o que só aumentou a irritação dos agricultores. “Bloquear parcialmente a [rodovia] A13, como está acontecendo esta manhã, ou tentar chegar à Assembleia Nacional com todo o simbolismo que isso acarreta, continua sendo ilegal. O ministro do Interior não permitirá”, comentou Bregeon.


Os agricultores acusam o presidente Emmanuel Macron de traí-los ao permitir a aprovação do acordo, que, acredita-se, será assinado pelos dois blocos na segunda-feira (12), no Paraguai.


Após ter dado declarações ambíguas sobre o tratado, Macron conseguiu o apoio da Itália para adiar a assinatura, em dezembro. Agora, porém, o governo de Giorgia Meloni sinaliza aceitar a ratificação.


Ruas de paris são bloqueadas por manifestantes


Agricultores franceses iniciaram um bloqueio antes do amanhecer nas estradas que levam a Paris e em vários pontos turísticos da cidade, em protesto contra o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, bem como contra outras queixas locais.


Vários sindicatos convocaram os protestos em Paris em meio a temores de que o acordo de livre comércio planejado com o bloco de países da América do Sul inundará a UE com importações de alimentos baratos, e em indignação com a forma como o governo está lidando com uma doença que afeta o gado.


“Estamos entre o ressentimento e o desespero. Temos um sentimento de abandono, com o Mercosul sendo um exemplo”, disse Stephane Pelletier, membro do sindicato Coordination Rurale, à Reuters ao pé da Torre Eiffel.


Os agricultores romperam as barreiras policiais para entrar na cidade, dirigindo pela avenida Champs-Élysées e bloqueando a estrada ao redor do monumento Arco do Triunfo nesta quinta-feira, enquanto a polícia os cercava.


Dezenas de tratores obstruíram as rodovias que levam à capital antes da hora do rush matinal, incluindo a A13 que liga Paris aos subúrbios ocidentais e à Normandia, causando 150 km de engarrafamentos, disse o ministro dos Transportes Philippe Tabarot.


O Ministério do Interior informou à agência de notícias AFP que cerca de 100 tratores estão em Paris, “mas a maioria está bloqueada nos portões da capital”.


O protesto aumenta ainda mais a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron e seu governo, um dia antes da votação do acordo comercial pelos Estados-membros da UE. Sem maioria no parlamento, qualquer erro político de Macron pode resultar em um voto de desconfiança na Câmara.


Há muito tempo a França tem sido uma forte oponente do acordo comercial e, mesmo depois de obter concessões de última hora, a posição final de Macron ainda é desconhecida.


Nesta semana, a Comissão Europeia propôs disponibilizar 45 bilhões de euros de financiamento da UE mais cedo para os agricultores no próximo orçamento de sete anos do bloco e concordou em reduzir as taxas de importação de alguns fertilizantes em uma tentativa de conquistar os países que estão hesitando em apoiar o Mercosul.


O acordo é apoiado por países como a Alemanha e a Espanha, e a Comissão parece estar mais próxima de obter o apoio da Itália. O respaldo de Roma significaria que a UE teria os votos necessários para aprovar o acordo comercial com ou sem o apoio da França.


Uma votação sobre o acordo é esperada para sexta-feira (9).


Os agricultores também exigem o fim da política governamental de abate de vacas em resposta à doença altamente contagiosa conhecida como dermatite nodular contagiosa, que consideram excessiva, defendendo, em vez disso, a vacinação.


A polícia estava evitando confrontos com os manifestantes, disse o ministro. “Os agricultores não são nossos inimigos”, afirmou Tabarot.

Conteúdo distribuído por Folhapress

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