Internacional

Quem é Kevin Warsh, escolhido por Trump para presidir o BC dos EUA

O nome de Warsh precisa ser aprovado pelo Senado dos EUA para suceder Powell
Quem é Kevin Warsh, escolhido por Trump para presidir o BC dos EUA
Foto: REUTERS/Aaron Schwartz

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na manhã desta sexta-feira (30) que Kevin Warsh será indicado para substituir Jerome Powell na presidência do Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA).


“Tenho o prazer de anunciar que estou nomeando Kevin Warsh para ser o presidente do conselho de governadores do Federal Reserve”, postou o republicano em sua rede social Truth Social.


O nome de Warsh precisa ser aprovado pelo Senado dos EUA para suceder Powell, que tem mandato até 15 de maio deste ano. O atual presidente do Fed é alvo de críticas de Trump mesmo antes de o republicano tomar posse para sua segunda gestão. Ele chamou Powell de “idiota”, “burro” e já afirmou que gostaria de demití-lo.


A maior queixa de Trump é que o presidente do Fed não agiu de forma contundente para reduzir a taxa de juros para 1,5%. Na última quarta-feira (28), a taxa foi mantida entre 3,5% e 3,75% após três cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual.


No dia seguinte, Trump voltou a atacar Powell. “Deveríamos ter uma taxa substancialmente mais baixa agora que até mesmo este idiota admite que a inflação não é mais um problema ou ameaça. Ele está custando à América centenas de bilhões de dólares por ano em despesas de juros totalmente desnecessárias e injustificadas”, postou.


Após anunciar Warsh nesta sexta, o presidente dos EUA elogiou o indicado. “Conheço Kevin há muito tempo e não tenho dúvidas de que ele será lembrado como um dos grandes presidentes do Fed, talvez o melhor. Além de tudo isso, ele é ‘perfeito para o papel’, e nunca vai decepcionar vocês. Parabéns, Kevin!”.


Warsh foi nomeado pela primeira vez para o Fed pelo presidente George W. Bush e atuou como governador do Fed de 2006 a 2011. Ele apoiou a necessidade de taxas mais baixas, ao mesmo tempo em que pediu uma “mudança de regime” na autarquia financeira.


O nome indicado por Trump tem laços profundos com Wall Street e é sócio do investidor bilionário Stanley Druckenmiller, que é próximo do secretário de Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que liderou o processo de busca pelo próximo presidente do Fed.


Warsh passou a se tornar conhecido em Wall Street em 2008, durante a crise imobiliária do país, quando atuou como intermediário entre funcionários do Fed e investidores, ajudando a orientar a resposta do banco central a uma das crises mais graves desde a Grande Depressão de 1929.


Desde então, ele criticou elementos dessa resposta, argumentando que o balanço do Fed ficou inflado após vastas compras de títulos sob sucessivos programas de flexibilização quantitativa.


Warsh compartilha a visão de Bessent de que o Fed se desviou de sua atribuição original, tornando-se poderoso demais e tomando ações que confundem as linhas entre política monetária e política fiscal.


Ele chegou a ser cotado para assumir o cargo na primeira gestão de Trump, foi entrevistado para o posto em 2017, mas acabou sendo preterido por Powell, que posteriormente foi reeleito para continuar no cargo.


O nome do ex-diretor do Fed ganhou força nas últimas semanas depois que investidores em títulos e executivos de Wall Street expressaram preocupações de que o Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca e então favorito para ser escolhido por Trump, reduziria as taxas indiscriminadamente.


Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, sinalizou seu apoio a Warsh, enquanto Ken Griffin, da Citadel, alertou o presidente que escolher um aliado próximo para o cargo poderia prejudicar a capacidade do Fed de combater a inflação.


Se for confirmado pelo Senado, Warsh assumirá a posição principal em um banco central dividido sobre se deve priorizar o combate à inflação persistentemente alta ou buscar fortalecer um mercado de trabalho vacilante.


O Fed cortou as taxas três vezes em 2025, levando os custos de empréstimos dos EUA ao nível mais baixo em três anos. No entanto, autoridades do banco central mantiveram os custos de empréstimos inalterados esta semana e ofereceram avaliações drasticamente diferentes sobre o caminho da política monetária em 2026.


Stephen Miran, aliado de Trump que ingressou no Fed em setembro, disse que as taxas deveriam ser muito mais baixas, argumentando que a “inflação fantasma” causada pelos preços de habitação e outras medidas está distorcendo as decisões do banco central.


Dois dos presidentes regionais do Fed que participam do conselho de definição de taxas do banco central —Lorie Logan, do Fed de Dallas, e sua homóloga em Cleveland, Beth Hammack— se opuseram veementemente a novos cortes nas taxas.


O desafio enfrentado pelo Fed se aprofundou este mês depois que promotores dos EUA iniciaram uma investigação criminal contra Powell sobre a reforma na sede do Fed estimada em US$ 2,5 bilhões.


A investigação provocou uma forte repreensão de Powell, que disse que fazia parte de uma série de ameaças da Casa Branca destinadas a restringir a independência do Fed para definir as taxas de juros.


Uma reação contrária no Senado à investigação, incluindo de republicanos no influente comitê bancário, poderia complicar a nomeação do ex-governador do Fed.


Alguns senadores republicanos, liderados por Thom Tillis, da Carolina do Norte, disseram que se recusarão a avançar com o indicado de Trump até que o Departamento de Justiça encerre sua investigação sobre Powell.


No entanto, Warsh tem contatos relativamente fortes no Capitólio e apoio de legisladores republicanos tradicionais de seu período anterior no conselho do Fed, o que poderia ajudá-lo a obter aprovação.

Conteúdo distribuído por Folhapress

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas