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Trump indica Kevin Warsh para a presidência do Fed

Donald Trump anunciou na manhã desta sexta-feira (30) Kevin Warsh como seu indicado para a presidência do Fed
Trump indica Kevin Warsh para a presidência do Fed
Foto: Brendan McDermid//File Photo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na manhã desta sexta-feira (30) Kevin Warsh como seu indicado para a presidência do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA). O anúncio foi feito através de sua rede social Truth Social. O nome ainda será submetido a uma sabatina no Senado e, se aprovado, deve assumir o cargo a partir de maio.

Ex-diretor do Fed com raízes em Wall Street, Kevin Warsh esteve com Trump nesta quinta. Ele estava no páreo para o posto desde 2017, mas perdeu o posto para Powell. Para o mercado, ele tem uma postura considerada “hawkish” jargão do mercado financeira considerada mais rígida no combate à inflação.

Nas últimas semanas, Trump vinha sinalizando que a escolha do novo presidente do Fed estava próxima e afirmou ter entrevistado quatro finalistas para a função. “Todos são ótimos”, disse o presidente em Davos, durante o Fórum Econômico Mundial, na semana passada. “O problema é que eles dizem que vão fazer uma coisa e fazem outra. É incrível como as pessoas mudam quando assumem o trabalho.”

As declarações de Trump dialogam com os ataques recorrentes ao atual presidente do Fed, Jerome Powell, indicado pelo republicano em seu primeiro mandato, em 2017 e reconduzido ao cargo pelo democrata Joe Biden, em 2021. Desde o início do segundo mandato de Trump, Powell tem sido alvo de críticas por resistir às pressões da Casa Branca por cortes mais agressivos na taxa de juros.

Entre os nomes considerados para a sucessão de Powell estavam Kevin Hassett, diretor do National Economic Council, quem Trump disse abertamente que sentiria falta na Casa Branca caso o nomeasse para o Fed. Também foram costados Christopher Waller, diretor do Fed; e Rick Rieder, executivo da gestora BlackRock. O processo de seleção foi supervisionado pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent.

Trump antecipou que o anúncio sobre o Fed ocorreria nesta sexta-feira, durante a pré-estreia do documentário “Melania”, protagonizado pela primeira-dama Melania Trump. No tapete vermelho do evento, o presidente classificou o indiciado como “uma pessoa excepcional” e adiantou que “a escolha não deve surpreender. Muitos acreditam que poderia ter sido indicada já há alguns anos”.

Segundo o presidente, novo presidente do Fed “trata-se de alguém muito respeitado, amplamente conhecido no mercado financeiro. Acho que será uma escolha muito boa espero que seja”.

O aviso do anúncio do nome aconteceu poucos dias após o Fed decidir manter a taxa básica de juros dos Estados Unidos na faixa entre 3,5% e 3,75%. A decisão era amplamente esperada pelo mercado, apesar da pressão pública de Trump por novas reduções e das investidas contra Powell.

A decisão desagradou Trump. “Deveríamos ter uma taxa substancialmente mais baixa agora que até esse idiota admite que a inflação não é mais um problema ou uma ameaça”, escreveu o presidente no Truth Social. “Ele está custando à América centenas de bilhões de dólares por ano em despesas com juros totalmente desnecessárias e sem justificativa.”

O parecer da primeira reunião deste ano interrompeu uma sequência de três cortes consecutivos, que levaram a taxa ao menor nível em três anos. A declaração desta quarta não ofereceu pistas sobre novas reduções.

O atual presidente Powell já foi chamado por Trump de “idiota” e “Mr. Atrasado Demais”. Desde o retorno do republicano à Casa Branca, Powell tem sido alvo de ataques verbais e institucionais, incluindo a abertura de uma investigação criminal relacionada a uma reforma na sede do banco central, em Washington, orçada em US$ 2,5 bilhões.

Em nota, Powell afirmou ter “profundo respeito pelo Estado de Direito” e disse que ninguém “certamente não o presidente do Federal Reserve” está acima da lei. “Mas essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua do governo”, declarou. A manifestação gerou apoio até entre senadores republicanos que vinham evitando confrontar Trump.

As críticas persistentes de Trump ao comando do Fed alimentaram preocupações nos mercados financeiros à medida que se aproxima a escolha do novo presidente da instituição. Operadores temem que Trump opte por um dirigente mais suscetível a pressões políticas, em detrimento da condução da política monetária baseada em dados econômicos.

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O presidente do Federal Reserve exerce um papel central na condução da política monetária dos Estados Unidos, com influência direta sobre o custo do crédito, os mercados financeiros globais e o ritmo de crescimento da economia americana. O cargo tem mandato de quatro anos e, por tradição, é exercido com autonomia em relação à Casa Branca.

A independência do Fed é considerada um dos pilares da credibilidade da política monetária americana. Interferências políticas na atuação do banco central costumam gerar volatilidade nos mercados, ao elevar incertezas sobre o controle da inflação e a previsibilidade das decisões sobre juros.

Desde que voltou à Casa Branca, Trump intensificou os ataques a Powell. Em abril do ano passado, afirmou que entendia mais de juros do que o chefe do Fed e disse que havia alguém na instituição que “não está realmente fazendo um bom trabalho”.

Nesta quarta-feira, após o anúncio da decisão sobre os juros, Powell foi questionado sobre que conselhos daria ao seu sucessor. Ele mandou um recado para o sucessor em três pontos e disse que é precuso: manter distância da política eleitoral; prestar contas ao Congresso e trabalhar para construir relações com os supervisores do Fed; e respeitar os profissionais que atuam diariamente para garantir a missão independente do banco central.

Conteúdo distribuído por Folhapress

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