Dia Internacional da Proteção de Dados: especialista alerta para riscos de fraudes com uso de IA
No Dia Internacional da Proteção de Dados, celebrado nesta terça-feira (28), a Companhia de Tecnologia da Informação de Minas Gerais (Prodemge) alerta para o aumento dos riscos de golpes e fraudes em um ambiente cada vez mais mediado pela internet e pela inteligência artificial (IA). A empresa destacou a necessidade de maior atenção do cidadão ao uso de aplicativos, plataformas digitais e serviços on-line.
A data protection officer (DPO) da Prodemge, encarregada pelo Tratamento de Dados Pessoais, Emily Assumpção, afirma que a popularização de ferramentas digitais ampliou a exposição dos usuários e criou novas oportunidades para a atuação de cibercriminosos. “Se a gente não paga pelo produto, é porque nós somos o produto. Quando o serviço é gratuito, é preciso entender que, muitas vezes, os dados pessoais são a contrapartida”, afirma.
Segundo a especialista, antes de baixar aplicativos ou realizar cadastros, o cidadão deve identificar a empresa responsável, analisar os termos de uso e compreender quais dados estão sendo solicitados. “Antes de simplesmente colocar e-mail, data de aniversário, CPF e nome, é importante saber que aplicativo é esse e ler os termos e condições dessas ferramentas”, ressalta.
Os riscos da inteligência artificial
Emily também chama atenção para o uso de inteligência artificial na criação de conteúdos que ampliam riscos. “A gente tem visto o uso de IA para gerar fotos do futuro, imagens de filhos ou animações com fotos de parentes falecidos. É preciso questionar quais são esses aplicativos e o que está sendo feito com essas informações”, afirma.
Outro ponto destacado é o aumento de golpes com clonagem de voz e vídeos falsos. “Hoje, a gente vê problema até com a nossa voz. A partir da minha voz, as pessoas podem clonar e usar áudios falsos para se passarem por mim”, diz. Segundo ela, é fundamental que o cidadão adote procedimentos de verificação. “Faça uma dupla checagem. Estou falando realmente com a empresa ou com a pessoa com quem eu deveria estar falando?”, reforça.
Passar dados por telefone é sempre um alerta
De acordo com a DPO, pedidos de informações por telefone, mensagens ou vídeos devem ser tratados com cautela. “O telefone é o melhor local para eu passar o código de segurança do meu cartão? Para passar meu CPF? A gente precisa se questionar antes de responder tudo que se pede”, explica. Ela ressalta que golpes envolvendo Pix, áudios e vídeos simulados têm se tornado mais frequentes.
Há casos em que os dados são necessários
Sobre a coleta de dados por empresas, Emily destaca o princípio da necessidade, previsto na LGPD. “Existem serviços que só funcionam se utilizarem dados. Aí fica a critério do consumidor: quero esse serviço? Quero fornecer meu dado?”, afirma. Por outro lado, ela alerta para exigências indevidas. “Quando o dado não é essencial, a empresa não pode condicionar benefícios, como descontos, ao fornecimento de informações pessoais. Isso já gerou multas”, revela.
A especialista também aponta riscos relacionados à superexposição nas redes sociais. “Muitas vezes, sou eu que exponho meus próprios dados, postando onde estou, tirando foto de encomenda com endereço aparecendo. Essa exposição é perigosa e pode colocar o próprio cidadão em risco”, afirma.
Como medida prática, Emily recomenda estratégias familiares de verificação. “Criar palavras-chave entre familiares ajuda a confirmar se um pedido é verdadeiro, principalmente em um cenário em que a IA permite simular vozes e imagens”, finaliza.
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