Legislação

Justiça manda governo dos EUA devolver tarifas para importadores

Tribunal ordena processamento de bilhões em devoluções para importadores após tarifas de Trump serem declaradas ilegais
Justiça manda governo dos EUA devolver tarifas para importadores
Foto: Jonathan Ernst / Reuters

O Tribunal de Comércio Internacional dos Estados Unidos determinou na quarta-feira que o governo comece a processar reembolsos bilionários a importadores que pagaram tarifas globais impostas pelo presidente Donald Trump consideradas ilegais pela Suprema Corte no mês passado. As informações foram divulgadas pela agência de notícias Reuters.

O juiz Richard Eaton, de Manhattan, ordenou que a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) finalize o cálculo do custo de entrada de milhões de remessas sem a cobrança das tarifas, garantindo que os importadores recebam reembolsos acrescidos de juros.

Nos Estados Unidos, os importadores pagam inicialmente um valor estimado na entrada das mercadorias, que é consolidado cerca de 314 dias depois em um processo chamado liquidação. Eaton orientou a CBP a processar esses cálculos sem aplicar as tarifas, garantindo o ressarcimento. “A alfândega sabe como fazer isso. Eles fazem isso todos os dias”, disse o juiz durante uma audiência, destacando que a agência consegue programar seus sistemas para emitir os reembolsos.

O juiz também marcou uma nova audiência para hoje para receber atualizações sobre os planos da CBP. Segundo sua decisão, ele será o único juiz responsável por analisar os pedidos de reembolso dessas tarifas.

A CBP afirmou em documentos judiciais que a tarefa de revisar os custos de entrada sem a cobrança das tarifas é de escala “sem precedentes” e pode exigir a revisão manual de mais de 70 milhões de declarações de importação. A agência estimou que precisaria de até quatro meses para avaliar suas opções de reembolso.

Os pagamentos ilegais de tarifas, arrecadados durante a política comercial da administração Trump, somam mais de US$ 130 bilhões. A Suprema Corte não definiu diretrizes sobre como os reembolsos deveriam ser feitos, deixando dúvidas sobre o processo para os importadores.

A decisão de Eaton surgiu em um processo movido pela Atmus Filtration, que afirmou ter pago cerca de US$ 11 milhões em tarifas ilegais. O caso da Atmus é um dos cerca de 2 mil processos apresentados ao tribunal comercial buscando reembolsos sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).

Eaton afirmou que pretende evitar a análise caso a caso. “Queremos encontrar um método pelo qual esses importadores possam reivindicar o reembolso dos impostos aplicados ilegalmente”, disse o juiz.

Novo processo

Um dia após a decisão do Tribunal de Comércio Internacional dos Estados Unidos, 20 Estados contestaram na Justiça ontem as novas tarifas globais determinadas por Trump imediatamente após a Suprema Corte impor uma derrota ao tarifaço imposto no ano passado.

Procuradores-gerais e governadores democratas que entraram com o processo argumentam que Trump está extrapolando seus poderes com as tarifas planejadas de 15% sobre grande parte do mundo.

Trump afirmou que as tarifas são essenciais para reduzir o déficit comercial de longa data dos Estados Unidos. Ele impôs tarifas com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, depois que a Suprema Corte derrubou as tarifas que ele havia imposto no ano anterior, sob uma lei de poderes de emergência.

A Seção 122, que nunca foi invocada, permite ao presidente impor tarifas de até 15%. Elas são limitadas a cinco meses, a menos que sejam prorrogadas pelo Congresso. O processo é liderado pelos procuradores-gerais do Oregon, Arizona, Califórnia e Nova York. “O foco agora deve ser o reembolso às pessoas, não o reforço das tarifas ilegais”, disse o procurador-geral do Oregon, Dan Rayfield.

Conteúdo distribuído por Agência Estadão

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