Legislação

PF encontrou indícios sobre políticos em investigação do Master

Essas pessoas afirmam à reportagem que foram feitos "vários achados" com menções a essas figuras do mundo político
PF encontrou indícios sobre políticos em investigação do Master
Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

s investigações da Polícia Federal envolvendo o Banco Master apontam possível envolvimento de políticos com foro especial. Material reunido pela PF na primeira fase da operação Compliance Zero, que teve como alvo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, contém referências a lideranças partidárias e altas autoridades, segundo relatos feitos à reportagem, sob anonimato, por investigadores do caso.


Essas pessoas afirmam à reportagem que foram feitos “vários achados” com menções a essas figuras do mundo político. Apurações sobre essas autoridades terão de correr no STF (Supremo Tribunal Federal).


Quando Vorcaro foi preso, a PF quebrou sigilos, apreendeu documentos e acessou o telefone celular do banqueiro.


As referências aos políticos, na avaliação de investigadores, não têm relação direta com o inquérito sobre a fabricação de carteiras fraudulentas de crédito consignado pelo Master e a negociação de venda para o BRB (Banco de Brasília).


Vorcaro ganhou notoriedade em Brasília por ter construído uma rede de aliados políticos e por organizar encontros em uma mansão na capital. Alguns deles temem que suas relações pessoais e financeiras com Vorcaro sejam desvendadas pela PF.


As conexões do banqueiro são consideradas tão amplas que provocaram a leitura de que uma investigação profunda seria comparável à operação Lava Jato, que provocou abalos em diversos partidos e levou a uma série de tentativas de abafar as apurações.


A análise dessas informações será agora aprofundada pelos investigadores para determinar se houve participação de autoridades no esquema de fraudes de Vorcaro. Eles se somarão aos dados já coletados na segunda fase da operação, que teve como alvo o uso de fundos de investimentos administrados pela gestora Reag para desvio de recursos captados pelo Master com a venda de CDBs (Certificados de Depósitos Bancários).


A segunda fase da Compliance Zero, realizada em janeiro, ocorreu já por ordem do ministro do STF, Dias Toffoli, que assumiu o caso após provocação da defesa de Vorcaro, que alegou ter sido encontrada uma referência ao deputado João Bacelar (PL-BA), que tem foro especial.


A referência a Bacelar, no entanto, não é o alvo das apurações da PF neste novo momento. O material encontrado na operação cita outros políticos, incluindo do Congresso.


Em depoimento à PF no fim de dezembro, Vorcaro minimizou suas conexões com autoridades. “Se eu tenho tantas relações políticas, como estão dizendo, e se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, eu não estaria aqui de tornozeleira, eu não teria sido preso”, disse.


Segundo investigadores, as apurações envolvendo políticos poderão ser desmembradas do caso original. Mesmo que o inquérito sobre o negócio BRB-Master seja remetido à Justiça de primeiro grau, a investigação envolvendo políticos continuaria sob supervisão do STF.


Nas últimas semanas, uma articulação foi iniciada por ministros do Supremo para que o caso seja remetido à Justiça de primeiro grau. O objetivo era reduzir a pressão sobre o tribunal, principalmente depois de revelações sobre conexões de integrantes do tribunal com negócios do Master.

A menção aos políticos encontrada na investigação, no entanto, deve levar a um ajuste de rota.


A investigação que pode ser enviada ao primeiro grau está avançada e deve ser concluída rapidamente, segundo agentes envolvidos no caso. A PF deve produzir um relatório final e apontar os indícios de crime que teriam sido praticados pelos principais suspeitos.


A preocupação de pessoas envolvidas no caso, ouvidas pela reportagem, é com o risco de as investigações contra políticos não avançarem no STF por pressões sobre a corte.

Conteúdo distribuído por Folhapress

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