Legislação

Renovação da FCA: acordo de R$ 24 bilhões avança e será enviado ao TCU em abril

O novo contrato dispensará o pagamento de outorgas ao Tesouro Nacional, alocando 100% dos recursos na própria ferrovia

Após dois anos de negociações, a VLI Logística pode assinar, em agosto, a renovação antecipada da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). O acordo será enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU) em abril. O investimento previsto é de R$ 24 bilhões, sendo R$ 8 bilhões destinados a Minas Gerais.

A informação foi revelada, nesta segunda-feira, 30, pelo diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Sampaio, durante evento no centro de engenharia da Wabtec, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

“Foi a melhor renovação antecipada possível e certamente será muito superior às anteriores”, pontua Sampaio.

Diferentemente dos acordos anteriores, o novo contrato dispensará o pagamento de outorgas ao Tesouro Nacional, alocando 100% dos recursos na própria ferrovia. “O que a VLI no passado pagou de outorga agora poderá usar para investir na melhoria dos trilhos e na capacidade operacional”, destaca o secretário executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro. Ele acrescenta ainda que o governo federal poderá aportar mais R$ 10 bilhões na ferrovia, ampliando os investimentos para R$ 34 bilhões.

Ampliação da capacidade

A mudança, segundo ele, tem potencial para ampliar a produtividade, bem como elevar a capacidade de transporte de grãos e demais mercadorias. “Ano passado, a VLI aumentou o transporte de grãos em 16% e agora com esses investimentos essa capacidade será muito maior”, acrescenta o secretário.

O diretor da ANTT destaca que um dos pedidos de Minas Gerais e da Bahia, o corredor Corinto-Campo Formoso, estará presente no contrato. Já o novo contorno ferroviário na Grande BH entrará como estudo obrigatório com expectativa de ser concretizado.

Novas locomotivas reforçam eficiência da VLI no Corredor Leste

Durante o evento, a companhia logística celebrou o recebimento da última locomotiva, de um total de sete novas máquinas fabricadas em Contagem pela Wabtec. As unidades serão incrementadas na malha ferroviária de carga geral no Corredor Leste da FCA, ligando Minas Gerais ao sistema portuário do Espírito Santo.

O CEO da VLI, Fábio Marchiori, comenta que a entrega simboliza o fim de um ciclo de investimento que foi feito com a concessão da FCA. O lote de sete unidades da Wabtec faz parte de um pedido total de 27 locomotivas compradas desde 2024, totalizando R$ 600 milhões em investimento.

“Isso significa modernização, com o mais alto grau de tecnologia disponível, melhorando a segurança das cargas e das pessoas, aumentando a capacidade e reduzindo as emissões de carbono”, destaca o executivo.

As locomotivas produzidas pela Wabtec em Contagem são consideradas uma das mais avançadas e seguras para operações de carga pesada. Os modelos, operados a diesel, prometem melhor eficiência e são capazes de operar com biocombustíveis, podendo reduzir o consumo de combustível e emissões atmosféricas em até 6% frente a outros modelos.

O presidente e líder regional Wabtec para América Latina, Danilo Miyasato, pontua que as entregas das locomotivas à VLI são uma importante conquista para a Wabtec. “Estamos comprometidos em oferecer as melhores soluções aos nossos clientes, unindo eficiência, confiabilidade, segurança e sustentabilidade através de uma logística de baixo carbono”, acrescenta.

VLI amplia autonomia no transporte de cargas

A aquisição marca ainda o início de operações da VLI como Agente Transportador Ferroviário de Cargas (ATF-C) ao longo da Estrada de Ferro Vitória a Minas. Controlado pela Vale, o trecho movimenta cerca de 22 milhões de cargas anuais como grãos, fertilizantes, insumos e produtos das indústrias siderúrgica e petrolífera.

No modelo tradicional, o transporte de carga geral era realizado com locomotivas e equipes da Vale. Com a nova atuação, a VLI passa a operar diretamente esse serviço ao longo da ferrovia, utilizando os próprios profissionais e máquinas.

A expectativa é de que a estrutura esteja plenamente implementada até o segundo semestre de 2026. O novo arranjo deve ampliar a autonomia da companhia na programação e condução das composições, com potencial para ganhos de eficiência e redução de paradas operacionais

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