Legislação

Universidade Federal de Lavras tem aval da Anvisa e da CTNBio para cultivo de cannabis medicinal

Universidade pode cultivar a planta em ambiente controlado e usar biotecnologia para desenvolver variedades com menor teor de THC e maior estabilidade de CBD
Universidade Federal de Lavras tem aval da Anvisa e da CTNBio para cultivo de cannabis medicinal
Cientista analisa extrato de cannabis para uso medicinal | Foto: Reprodução / Adobe Stock

A Universidade Federal de Lavras (Ufla) tem credenciais especiais para estudar a Cannabis sativa, conduzindo pesquisas de cultivo in vitro com fins científicos e medicinais. O trabalho, coordenado pela professora Vanessa Cristina Stein, é o primeiro do Brasil a ser autorizado tanto pela Anvisa quanto pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Na última quarta-feira (28), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, por unanimidade, as normas que regulamentam todas as etapas de produção da cannabis medicinal.

Além da autorização da Anvisa, o Centro Biotecnológico de Plantas Psicoativas (CBPP) da Ufla obteve o Certificado de Qualidade em Biossegurança (CQB), garantindo que suas atividades sejam realizadas seguindo os mais altos padrões de segurança biológica e ampliando sua capacidade de atuação. Isso coloca o CBPP como o único laboratório de pesquisa do País com certificação para realizar projetos in vitro com cannabis medicinal geneticamente modificada.

A Ufla, que já estuda a planta há 15 anos, pode cultivá-la em ambiente controlado, mas não pode produzir derivados para comercialização direta ao consumidor final. A universidade pretende utilizar biotecnologia e edição gênica para desenvolver plantas que cresçam com teor reduzido de THC (composto psicoativo) e maior estabilidade de CBD (canabidiol).

Atendendo a uma demanda

O projeto da universidade, localizada no Campo das Vertentes, vai ajudar a sanar uma demanda da indústria farmacêutica: a oscilação natural de compostos na planta. “Buscamos desenvolver plantas que já cresçam com teor reduzido de THC, diminuindo a necessidade de processos químicos posteriores”, explica a professora e coordenadora do CBPP, Vanessa Stein.

Com processos mais eficazes, será possível reduzir custos industriais e ampliar o acesso da população a tratamentos de qualidade.

Para que a pesquisa se mantenha em um cronograma estável, sem grandes contratempos, o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e da farmacêutica Ease Labs tem sido importante para o processo.

A empresa importa insumos de países como a Colômbia, mas a tecnologia desenvolvida na universidade permitirá que os medicamentos sejam produzidos com mais controle sobre a composição dos compostos, garantindo mais segurança ao produto final.

Canabidiol
Com a pesquisa da Ufla, canabidiol poderá ser mais facilmente acessado pela população | Foto: Pixabay

Saiba mais sobre a cannabis geneticamente modificada

O desenvolvimento de cannabis geneticamente modificada permite a criação de variedades com perfis específicos de canabinoides, otimizando a produção de compostos terapêuticos e, consequentemente, aumentando a eficácia dos tratamentos. Esse avanço abre novas possibilidades de pesquisas inovadoras.

Essa abordagem também contribui para a padronização da produção, garantindo qualidade e segurança dos medicamentos derivados da planta.

“A biotecnologia aplicada à cannabis representa um passo fundamental para a evolução da medicina e para a democratização do acesso a tratamentos baseados nessa planta de grande relevância terapêutica. A obtenção desse certificado reforça o nosso compromisso com a excelência científica, garantindo um ambiente seguro para descobertas inovadoras e avanços na biotecnologia de cannabis medicinal, beneficiando a comunidade científica, a sociedade, que necessita de novas opções terapêuticas, e a formulação de políticas públicas que garantam acesso a esses tratamentos”, diz a professora Vanessa Stein.

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