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Multinacional localizada há 3 horas de São Paulo fecha as portas após 64 anos e demite 150 trabalhadores

Por Pedro Silvini
23/05/2026
Em Geral
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empresa fechado trancado

Foto: (Reprodução/Shutterstock)

A multinacional americana Cabot Corporation anunciou o fechamento definitivo de sua fábrica em Campana, na província de Buenos Aires, na Argentina, encerrando mais de seis décadas de operação industrial no país vizinho, localizado a cerca de três horas de voo de São Paulo.

A decisão provocará a demissão de mais de 150 trabalhadores e já mobiliza sindicatos e autoridades locais. Segundo jornais argentinos, o processo de desmontagem da planta industrial já começou.

A unidade produzia negro de fumo, matéria-prima essencial utilizada na fabricação de pneus, borracha, plásticos, tintas e outros produtos ligados principalmente à indústria automotiva. A fábrica era considerada estratégica para a cadeia produtiva sul-americana e atendia clientes em diferentes países da região.

Inaugurada em 14 de julho de 1962, na cidade de Campana, a planta foi a primeira unidade fabril da Cabot em toda a América Latina. Ao longo dos últimos anos, a produção anual chegou perto de 85 mil toneladas.

Segundo a companhia, o processo industrial utilizava insumos majoritariamente nacionais, incluindo óleo proveniente da refinaria da YPF, além de gás natural argentino.

Nos últimos anos, a empresa também havia investido em modernização industrial e projetos de autoabastecimento energético para reduzir custos operacionais e aumentar a sustentabilidade da planta.

Mesmo assim, a companhia decidiu encerrar as atividades em meio à queda da atividade industrial e à retração do mercado argentino.

Foto: (Reprodução/Rádio Don)

Demissões geram mobilização sindical

O fechamento impacta diretamente cerca de 90 funcionários próprios e outros 60 trabalhadores terceirizados ligados a serviços de manutenção, vigilância, lavanderia e alimentação.

Após o anúncio, integrantes do Sindicato dos Trabalhadores do Negro de Fumo iniciaram vigília nos portões da fábrica e cobraram intervenção do Ministério do Trabalho da província de Buenos Aires.

Os representantes sindicais afirmam que o encerramento da operação faz parte de um processo mais amplo de desindustrialização enfrentado pela Argentina nos últimos anos.

Uma audiência trabalhista deve discutir nos próximos dias possíveis compensações financeiras e os próximos passos legais relacionados às demissões.

Crise industrial pressiona setor automotivo argentino

O fechamento da Cabot também preocupa empresas da cadeia automotiva argentina, já que a planta era a única produtora nacional de negro de fumo, insumo considerado essencial para a fabricação de pneus.

Com o encerramento das operações, fabricantes locais devem aumentar a dependência de importações para manter a produção.

Relatórios recentes da União Industrial Argentina apontam queda significativa na atividade manufatureira do país, especialmente no setor químico e de componentes industriais.

Dados da Associação de Fábricas de Componentes da Argentina também indicam perda de competitividade, aumento de custos em dólar e redução nas vendas de veículos, fatores que atingiram diretamente a demanda por insumos industriais.

Empresa atravessou décadas de crises econômicas

A Cabot permaneceu ativa na Argentina durante mais de 60 anos, sobrevivendo a diferentes crises econômicas, mudanças políticas e períodos de recessão no país.

O encerramento definitivo das operações vem sendo tratado por analistas locais como um símbolo das dificuldades enfrentadas atualmente pela indústria argentina.

Além do impacto nos empregos diretos, o fechamento também afeta pequenas e médias empresas da região de Campana que dependiam da operação industrial para prestação de serviços logísticos, manutenção e fornecimento de equipamentos.

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Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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