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Especialistas pedem que brasileiros se preparem para fenômeno que vai atingir o país nos meses de outubro, novembro e dezembro

Por Pedro Silvini
25/07/2026
Em Geral
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pessoas na rua andando cidade brasil pais

Foto: (Reprodução/Agência Brasil)

Meteorologistas e autoridades de saúde acompanham com preocupação a evolução do El Niño, que poderá atingir intensidade excepcional nos próximos meses. O pico do fenômeno é esperado entre outubro, novembro e dezembro, período em que os efeitos sobre o clima brasileiro tendem a se intensificar, especialmente na Região Sul, com previsão de chuvas acima da média, tempestades severas e maior risco de enchentes.

Segundo projeções da MetSul Meteorologia, os impactos devem crescer ao longo do segundo semestre. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) já confirmou a consolidação do El Niño no Oceano Pacífico e estima 81% de probabilidade de que ele alcance a classificação de Super El Niño.

Caso as previsões se confirmem, este poderá ser um dos eventos mais intensos já registrados, com anomalias na temperatura da superfície do Pacífico Centro-Leste entre +3°C e +4°C, patamar que, de acordo com os especialistas, não tem precedentes nos últimos 150 anos.

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Mapa Brail 2023-2024 – Foto: (Reprodução/NOAA)

Sul deve concentrar os maiores impactos

Os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná aparecem como os mais vulneráveis aos efeitos do fenômeno. A expectativa é de aumento expressivo no volume de chuvas, favorecendo cheias de rios, inundações e novos episódios de alagamentos, além de comprometer atividades agrícolas e a infraestrutura urbana.

Mesmo antes de atingir seu pico, o El Niño já provoca mudanças no padrão climático do país. Nas últimas semanas, o Sul registrou temporais frequentes, enquanto outras regiões enfrentaram bloqueios atmosféricos que alteraram a distribuição das chuvas.

Os meteorologistas também alertam para uma maior frequência de tempestades severas nos próximos meses, com possibilidade de granizo, rajadas intensas de vento, descargas elétricas e, em situações mais extremas, tornados e microexplosões atmosféricas.

Outro fator que chama atenção é a rapidez com que o fenômeno se desenvolveu. A anomalia de temperatura do Pacífico já alcançou cerca de +2°C ainda na metade do ano, marca que, em episódios históricos como os de 1982, 1997 e 2023, só foi observada no fim do ano.

Saúde também entra em alerta

Além das consequências meteorológicas, o avanço do El Niño também preocupa as autoridades sanitárias. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) avalia que a combinação entre temperaturas elevadas e aumento das chuvas cria condições favoráveis para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika.

Diante desse cenário, o Ministério da Saúde encaminhou uma nota técnica a estados e municípios recomendando o reforço imediato das ações de vigilância, eliminação de criadouros e monitoramento epidemiológico.

As projeções do sistema InfoDengue, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indicam que, caso o cenário climático previsto se confirme e as medidas preventivas não sejam intensificadas, o Brasil poderá registrar cerca de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027, evidenciando que os impactos do Super El Niño podem ir muito além das mudanças no clima e afetar diretamente a saúde pública.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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