Antes de se tornar uma das empresárias mais conhecidas do Brasil, Luiza Helena Trajano passou parte das férias escolares atrás do balcão de uma pequena loja de presentes em Franca, no interior de São Paulo. Aos 12 anos, ela começou a trabalhar no estabelecimento pertencente aos tios, experiência que marcaria o início de uma trajetória de décadas à frente do negócio que posteriormente se transformaria no Magazine Luiza, o Magalu.
Nascida em 1951, Luiza cresceu em uma família ligada ao comércio. A decisão de começar a trabalhar tão cedo partiu da própria mãe, que queria estimular na filha a autonomia e a independência financeira. A menina, que gostava de presentear os amigos, passou a trabalhar na loja durante os períodos de férias para conquistar o próprio dinheiro.
O pequeno comércio familiar acabaria se transformando em uma das maiores redes varejistas da América Latina.
Luiza Helena Trajano se formou em Direito em 1972 e continuou sua trajetória dentro da empresa. Em vez de assumir imediatamente uma posição de comando, passou por diferentes departamentos e conheceu de perto as várias etapas da operação.

A experiência acumulada ao longo dos anos foi fundamental para que, em 1991, ela assumisse a liderança da organização.
Sob sua gestão, o Magazine Luiza iniciou uma fase de transformação que combinou expansão física, inovação e novas formas de relacionamento com os consumidores.
Entre as iniciativas que marcaram o período estão as primeiras lojas virtuais, que utilizavam a televisão como ferramenta de vendas, e a criação da Liquidação Fantástica, campanha de descontos realizada tradicionalmente em janeiro que atraía grandes filas e multidões às unidades da rede.
A empresa também iniciou sua expansão para outros estados, avançando inicialmente para Paraná e Mato Grosso do Sul.
O salto para o comércio eletrônico
A transformação digital ganhou força no início dos anos 2000. Em 2000, o Magalu colocou no ar seu site de comércio eletrônico, dando início a uma nova etapa de expansão.
Ao mesmo tempo, a companhia passou a ampliar sua presença no varejo por meio de aquisições. Entre as empresas incorporadas ao longo do processo estiveram Lojas Líder, Lojas Base, Kilar e Madol.
O crescimento também ocorreu na operação física. Em 2008, a companhia inaugurou 46 lojas em um único dia no estado de São Paulo. Dois anos depois, a rede chegou ao Nordeste.
A abertura de capital veio em 2011, quando o Magazine Luiza realizou seu IPO. Com os recursos obtidos no mercado, a empresa manteve a estratégia de crescimento e ampliou seu ecossistema de negócios.
Entre as aquisições posteriores estiveram o Baú da Felicidade, a empresa de logística Logbee, a plataforma de comércio eletrônico esportivo Netshoes e o marketplace de livros Estante Virtual.
Uma gigante que continua enfrentando desafios
Mesmo depois de décadas de expansão, o Magalu continua atravessando um cenário de transformação no varejo. Os números mais recentes mostram tanto a força da operação física quanto os desafios enfrentados pelo comércio eletrônico.
No segundo trimestre de 2026, as vendas totais das lojas físicas cresceram 10,3%, alcançando R$ 5,2 bilhões. Segundo a companhia, o desempenho representou ganho de participação de mercado e foi impulsionado principalmente pela comercialização de televisores em meio à preparação dos consumidores para a Copa do Mundo.
No período, entretanto, o volume total de vendas do grupo chegou a R$ 14,5 bilhões, uma queda de 5,1% na comparação com o segundo trimestre de 2025.
O comércio eletrônico registrou retração ainda maior. As vendas digitais caíram 11,9%, para R$ 9,3 bilhões.
Segundo a empresa, o movimento esteve relacionado à elevação global dos custos de chips de memória, que impactou diretamente os preços de produtos de informática e telefonia. A estratégia adotada foi repassar parte desses custos aos consumidores, reduzindo o ritmo de vendas, mas preservando as margens.
Resultado financeiro mostra a estratégia de preservação
O Magalu registrou prejuízo líquido contábil de R$ 72,5 milhões no segundo trimestre de 2026. Quando desconsiderados eventos não recorrentes, o prejuízo ajustado ficou em R$ 50,4 milhões.
Apesar do resultado negativo, alguns indicadores operacionais apresentaram estabilidade ou melhora.
O Ebitda ajustado alcançou R$ 708,8 milhões, com margem de 8%, mesmo percentual registrado no mesmo período do ano anterior. A margem bruta ficou em 30,6%, alta de 0,1 ponto percentual.
As despesas com vendas também recuaram proporcionalmente, passando de 18,7% para 18,5% da receita líquida, movimento associado ao esforço de redução de custos.
A companhia ainda registrou geração de caixa de R$ 258,8 milhões no trimestre e encerrou o período com R$ 5,8 bilhões em caixa total.











