A integração entre inteligência artificial e aplicativos de mensagens ganhou um novo capítulo nesta semana e trouxa alerta à privacidade de usuários da Apple. A OpenAI passou a oferecer suporte para que o ChatGPT controle funções do iMessage, permitindo que o sistema leia, escreva, pesquise, resuma e até envie mensagens pelo aplicativo Mensagens em computadores Mac.
A novidade foi disponibilizada na quinta-feira (20) e amplia consideravelmente o nível de acesso do chatbot às conversas armazenadas no computador. Com o recurso ativado, o usuário pode pedir ao ChatGPT que encontre informações antigas, analise conversas, prepare respostas ou execute determinadas ações em seu nome.
Embora a ferramenta possa facilitar tarefas cotidianas, a possibilidade de uma inteligência artificial acessar o conteúdo de mensagens privadas levanta questionamentos sobre segurança e tratamento de dados. A Apple mantém há anos uma posição pública de defesa da privacidade e adota medidas para proteger o conteúdo das comunicações de seus usuários.
ChatGPT poderá controlar mensagens no Mac
A nova função permite que o ChatGPT interaja diretamente com o aplicativo Mensagens da Apple. Entre as possibilidades estão a leitura de conversas, elaboração de textos, envio de mensagens e busca por informações presentes no histórico.
O sistema também pode produzir resumos de conversas e ajudar o usuário a localizar conteúdos específicos que estejam armazenados no aplicativo.
Outra possibilidade é solicitar que o ChatGPT analise as mensagens recebidas e sugira respostas. Um exemplo divulgado pela própria OpenAI mostra um usuário pedindo ao chatbot sugestões de mensagens para contatos com base nas conversas recebidas no dia anterior.
O recurso também permite solicitar que mensagens sejam apagadas ou que uma resposta seja elaborada e enviada em nome do usuário.
Além do uso pessoal, a integração funciona com ferramentas como Codex e ChatGPT Work, permitindo que os recursos sejam utilizados também em atividades profissionais.
Acesso às mensagens levanta dúvidas de privacidade
O principal ponto de atenção está no tipo de informação que o ChatGPT pode acessar para realizar essas tarefas. Conversas de mensagens podem conter dados pessoais, informações financeiras, documentos, endereços, fotos e outros conteúdos privados.
A preocupação aumenta porque a funcionalidade envolve uma ferramenta de inteligência artificial de terceiros interagindo com um aplicativo desenvolvido pela Apple.
A OpenAI informou à Bloomberg que o recurso funciona localmente no computador do usuário e afirmou que a ferramenta “não cria um índice de todas as mensagens” da pessoa.
Apesar da explicação, ainda existem dúvidas sobre os detalhes técnicos de funcionamento da integração e sobre quais informações são processadas durante determinadas ações. Questionada sobre o funcionamento do recurso, a OpenAI também foi procurada para fornecer mais esclarecimentos.
A questão é particularmente relevante porque o acesso ao conteúdo das mensagens pode ocorrer em diferentes situações, como pesquisas no histórico, elaboração de respostas e geração de resumos.
Usuário precisa ficar atento antes de permitir envios
O envio de mensagens em nome do usuário é outro ponto que exige atenção. A OpenAI recomenda acompanhar o que o ChatGPT está fazendo e desaconselha a ativação da aprovação persistente.
Segundo a empresa, manter essa opção ativada elimina a última oportunidade de o usuário revisar o conteúdo antes que a mensagem seja efetivamente enviada pelo sistema.
Na prática, isso significa que uma pessoa pode permitir que o chatbot prepare uma mensagem, mas ainda manter uma etapa de confirmação antes do envio. Essa revisão pode evitar que um texto inadequado, incorreto ou destinado à pessoa errada seja enviado automaticamente.
A recomendação ganha importância porque mensagens enviadas pelo ChatGPT podem ser interpretadas pelos destinatários como comunicações escritas pelo próprio usuário.











