A maranhense Maria do Perpétuo Socorro Adusumilli, uma das figuras mais importantes da história das geociências no Brasil, voltou aos bancos universitários e, aos 93 anos, conquistou mais um diploma. Em 2022, ela concluiu o curso de Gerontologia na Universidade de Brasília (UnB), somando mais uma formação a uma trajetória acadêmica que atravessa gerações.
Hoje, aos 97 anos, a professora é reconhecida como a primeira mulher geóloga do país. Maria do Socorro já havia se formado em Direito aos 65 anos e aprovado no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aos 70, demonstrando uma trajetória marcada pela constante reinvenção intelectual.
Nascida no Maranhão em 1929, Maria do Socorro se formou em História Natural entre 1952 e 1953 pela Faculdade Nacional de Filosofia da então Universidade do Brasil, onde obteve os títulos de bacharel e licenciada. Em 1957, passou a integrar a base técnica da formação de geólogos no país ao ser contratada pela CAGE (Campanha de Formação de Geólogos), atuando como professora assistente na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Ao longo da carreira, ela também teve papel relevante na UnB, onde chegou em 1971. No Instituto de Geociências, lecionou disciplinas como Cristalografia, Mineralogia, Noções de Gemologia e Técnicas Mineralógicas, além de atuar na pós-graduação com aulas de Mineralogia de Urânio e Tório.
Na instituição, também foi responsável pela criação dos laboratórios de Microscopia e de Raios X, fundamentais para o desenvolvimento das pesquisas em geociências. “Fiz a solicitação de microscópios e de aparelhos de raio-x da Alemanha e de outros países. Eles vieram com meu nome e eu pensava: ‘meu Deus, está chegando um equipamento do Japão em meu nome, que coisa importante!’”, relembrou em entrevista à UnB.

Formação contínua, concursos e reconhecimento internacional
A trajetória acadêmica de Maria do Socorro inclui ainda concurso de livre-docência na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1977, com tese sobre mineralogia de niobo-tantalatos da Província Pegmatítica Nordestina. A professora também realizou estágios internacionais em Portugal e na Holanda, além de um pós-doutorado na França em 1986.
Pesquisadora do CNPq, ela orientou bolsistas de iniciação científica, publicou artigos como autora e coautora e participou de congressos no Brasil e no exterior. Entre as honrarias recebidas, destaca-se a medalha Sousa-Andrade e o diploma de Mérito Universitário concedidos pela Universidade Federal do Maranhão em 1981.
Direito, geociências e uma vida de múltiplas conquistas
Mesmo após consolidar carreira na geologia, Maria do Socorro decidiu ampliar sua formação. Aos 65 anos, ingressou na faculdade de Direito e se formou aos 70, passando ainda no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Anos depois, já na terceira idade avançada, seguiu estudando e retornou novamente à universidade.
A trajetória da professora inclui ainda passagens internacionais, como períodos de pesquisa na França, Holanda e uma estadia de um ano na Índia. Em 1994, ela se aposentou como professora titular da Universidade de Brasília.
Ao longo de décadas, Maria do Socorro Adusumilli contribuiu para a formação de gerações de geólogos e para a estruturação de laboratórios e pesquisas fundamentais no país. Sua trajetória também é marcada por uma produção científica consistente, participação em sociedades científicas como a Sociedade Brasileira de Geologia e a Sociedade Brasileira de Cristalografia, além de atuação ativa no desenvolvimento de projetos acadêmicos.




