Cuba deixará de processar pagamentos realizados com cartões Visa e Mastercard a partir deste sábado (6). A medida foi anunciada pelo Banco Central cubano, que informou ter sido comunicado por uma instituição financeira estrangeira responsável pelo processamento dessas operações sobre o encerramento da parceria com a FINCIMEX, empresa que intermediava as transações internacionais no país.
Com a mudança, a ilha ficará impossibilitada de receber receitas provenientes da venda de produtos e serviços pagos por meio das duas bandeiras internacionais, amplamente utilizadas por turistas e empresas estrangeiras.
Segundo o Banco Central de Cuba, a suspensão é consequência direta do endurecimento das sanções impostas pelos Estados Unidos contra o país. A autoridade monetária informou que, em 2 de junho, recebeu uma comunicação formal do banco estrangeiro responsável pelo processamento das operações informando o encerramento do relacionamento com a FINCIMEX.
A empresa cubana é ligada ao sistema financeiro do país e atua na intermediação de pagamentos internacionais. O governo cubano não divulgou o nome da instituição financeira estrangeira que decidiu interromper os serviços.
Em nota oficial, o Banco Central afirmou que, como resultado da decisão, Cuba não poderá mais receber pagamentos por bens e serviços realizados por meio de cartões Visa e Mastercard, o que representa mais um desafio para a economia da ilha.
Impacto sobre turismo e comércio
A suspensão ocorre em um momento delicado para a economia cubana, que enfrenta dificuldades para recuperar o setor de turismo, considerado uma das principais fontes de receita do país.
Historicamente, as transações com cartões internacionais eram processadas por um banco estrangeiro em parceria com a FINCIMEX, braço financeiro vinculado ao conglomerado estatal GAESA. O grupo administra setores estratégicos da economia cubana, incluindo turismo, logística, remessas internacionais e operações financeiras.
O governo dos Estados Unidos acusa o conglomerado de concentrar receitas provenientes dessas atividades e direcioná-las para interesses ligados à estrutura militar e à elite governamental cubana.
Novas restrições ampliam isolamento financeiro
O anúncio acontece após a ampliação das sanções norte-americanas contra Cuba por meio de uma ordem executiva assinada em 1º de maio. A medida ampliou significativamente as restrições comerciais envolvendo empresas e entidades ligadas ao governo cubano.
Além das limitações operacionais, organizações incluídas em listas de sanções podem enfrentar bloqueio de ativos e dificuldades para acessar o sistema financeiro internacional, o que aumenta os obstáculos para a realização de negócios com parceiros estrangeiros.
Especialistas avaliam que a suspensão das operações com Visa e Mastercard pode dificultar ainda mais a atividade turística na ilha, especialmente para visitantes estrangeiros que utilizam essas bandeiras como principal forma de pagamento durante viagens.




