Uma das muitas preocupações envolvendo o aquecimento global é a forma como o aumento das temperaturas do nosso planeta está acelerando o derretimento de gelo no Ártico. Além do aumento do nível dos oceanos, esse derretimento traz outro risco: a “volta” de vírus que ficaram congelados por milhares e milhares de anos nos extremos do nosso planeta.
Em 2016, uma onda de calor na Rússia derretou parte do solo onde estava enterrada a carcaça de um animal infectado com antraz. Mais de 20 pessoas foram contaminadas pelo vírus e uma criança de 12 anos morreu. Fazia 75 anos desde que a infecção tinha atingido a região norte do país.
Cientistas “reviveram” vírus congelado de 48 mil anos
De acordo com a Smithsonian Magazine, em novembro do ano passado foi publicado um artigo no bioRxiv, em que cientistas detalham como eles reviveram vários desses vírus que estavam na camada permanente de gelo da Sibéria. O mais velho deles é um pandoravírus de 48,5 mil anos, o que estabeleceu um novo recorde mundial para a idade de um vírus restaurado, segundo o coautor do estudo Jean-Michel Claveric, contou ao New Scientist.
E imaginamos que você já está se perguntando por que os cientistas fizeram uma coisa dessas e se eles não têm noção de como isso parece roteiro de um filme-desastre. Mas calma: todos os vírus descobertos pelo time infectam apenas amebas, portanto, não são considerados ameaças à saúde pública.
“Se os autores estão de fato isolando vírus vivos de camadas antigas de gelo permanente, é provável que os vírus de mamíferos, ainda menores e mais simples, também sobrevivam congelados por eras”, afirma Eric Delwart, virologista molecular da Universidade da Califórnia em São Francisco, que não participou da pesquisa, à revista New Scientist.








