A BR-116, uma das principais ligações rodoviárias do Brasil, acumula um histórico preocupante de acidentes fatais e consolidou-se como a estrada com maior número de mortes do país. Conhecida por motoristas e moradores como “Rodovia da Morte”, a via que atravessa Minas Gerais e conecta o Ceará ao Rio Grande do Sul lidera as estatísticas de fatalidades há mais de dez anos.
Dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostram que, entre 2013 e 2023, a BR-116 registrou o maior número de mortes em acidentes em praticamente todos os anos da série. A única exceção ocorreu em 2016, quando a BR-101 contabilizou 839 vítimas fatais, superando as 824 mortes registradas na BR-116.
Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em 2023 a BR-116 contabilizou 740 mortes em acidentes. Neste ano, o total já ultrapassou os números do período anterior, chegando a 763 óbitos.
A quantidade de vítimas é superior à registrada na BR-101, que liga o Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul e teve 716 mortes. Na sequência aparece a BR-163, que atravessa o país entre o Rio Grande do Sul e o Pará, com 254 vítimas fatais.

Minas Gerais concentra os maiores índices
Os dados da CNT apontam Minas Gerais como o estado brasileiro com maior número de mortes em rodovias federais. Entre janeiro e outubro, foram registrados 628 óbitos, o equivalente a 12,5% das mortes em estradas de todo o país.
O estado também lidera em número de acidentes e ocorrências com vítimas. No período, foram contabilizados cerca de 7,6 mil acidentes, dos quais aproximadamente 6,6 mil resultaram em feridos ou mortos.
Trechos da BR-116 em território mineiro são considerados alguns dos mais críticos da malha rodoviária nacional, especialmente por apresentarem pistas simples e segmentos de mão dupla.
Comportamento dos motoristas é principal causa das tragédias
Levantamento da PRF referente a 2023 indica que 16% dos acidentes com mortes na BR-116 em Minas Gerais foram provocados por invasão da contramão. Outros 15% tiveram relação com velocidade incompatível com as condições da via e 14% ocorreram em razão de reações tardias ou inadequadas dos condutores.
Os números revelam que o fator humano continua sendo a principal causa das ocorrências fatais.
Em 2024, até outubro, os acidentes ligados à falta de reação ou reação tardia dos motoristas passaram a representar 27% dos casos, enquanto 19% estavam relacionados ao excesso de velocidade ou à condução incompatível com as condições da pista.
Duplicação é considerada prioridade
Especialistas em infraestrutura defendem que a duplicação da BR-116 é uma das medidas mais urgentes para reduzir o número de acidentes. Embora alguns trechos, especialmente no Nordeste, tenham recebido melhorias nos últimos anos, segmentos em Minas Gerais ainda apresentam problemas estruturais.
Além das obras, especialistas apontam a necessidade de reforçar a fiscalização nas estradas, com a ampliação do uso de radares inteligentes capazes de identificar não apenas excesso de velocidade, mas também infrações como ultrapassagens proibidas.
Atualmente, a BR-116 em Minas Gerais possui nove radares fixos em operação, instalados em julho de 2024, em regiões como Governador Valadares, Inhapim e Caratinga. No total, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) administra 77 equipamentos de fiscalização em rodovias federais no estado.
Com mais de 4,6 mil quilômetros de extensão, a BR-116 é uma das maiores rodovias do Brasil e desempenha papel estratégico no transporte de passageiros e cargas. A estrada atravessa diversos estados brasileiros e é considerada uma das principais artérias do sistema rodoviário nacional.




