Os consumidores da Celesc, responsável pela distribuição de energia elétrica em Santa Catarina, terão de preparar o orçamento para uma nova alta na conta de luz. A partir deste sábado (22), as tarifas da companhia serão reajustadas, em média, em 10,82%, conforme decisão anunciada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nesta terça-feira (18).
O impacto, porém, será diferente conforme o perfil do consumidor. Para os clientes conectados à baixa tensão, grupo que representa 99,5% dos consumidores da distribuidora, o aumento médio será de 9,26%. Já as grandes indústrias, atendidas em alta tensão, terão uma elevação de 14,16% nas tarifas.
O reajuste reúne a atualização dos custos reconhecidos pela agência reguladora e a revisão tarifária periódica, realizada a cada cinco anos.
Por que a tarifa subiu?
Segundo a Aneel, a elevação foi influenciada principalmente pelo aumento dos custos de transmissão de energia e dos encargos setoriais. Também entraram na composição do índice os chamados componentes financeiros relacionados tanto ao ciclo tarifário atual quanto ao anterior.
A Celesc, por sua vez, afirma que apenas uma parcela do valor pago pelo consumidor permanece com a própria distribuidora. De acordo com a empresa, a cada R$ 100 pagos na fatura, cerca de R$ 16 ficam destinados à atividade de distribuição.
O restante está relacionado a itens como compra de energia e encargos setoriais. Considerando o reajuste médio de 10,82% aprovado para este ano, a companhia calcula que 1,61 ponto percentual esteja relacionado ao aumento dos custos de operação da própria Celesc.
O reajuste tarifário anual tem justamente a função de atualizar os custos considerados pela Aneel necessários para a prestação do serviço de distribuição de energia elétrica.
Apesar do percentual anunciado, isso não significa que todos os consumidores receberão exatamente 10,82% de aumento na próxima conta. O valor efetivamente cobrado depende de fatores como volume de consumo, tributos e bandeira tarifária vigente.
Outras tarifas também estão em análise
A pressão sobre as contas de energia não se limita a Santa Catarina. A Aneel também analisa uma proposta de atualização das tarifas da Neoenergia Brasília, responsável pelo fornecimento de energia elétrica no Distrito Federal.
A proposta prevê uma alta média de 1,10% para consumidores de baixa tensão e de 3,95% para aqueles atendidos em alta tensão. Antes da decisão definitiva, os índices serão discutidos em uma audiência pública marcada para quinta-feira (27), na sede da Aneel, em Brasília.
O encontro permitirá a participação de consumidores, representantes da distribuidora e outros interessados, que poderão apresentar contribuições ao processo regulatório.
Caso a proposta seja aprovada, os novos valores da Neoenergia Brasília deverão entrar em vigor em 22 de outubro.
Aneel prevê alta média de 8,6% em 2026
O reajuste da Celesc ocorre em um cenário de pressão sobre as tarifas de energia em diferentes regiões do país. Segundo a segunda edição do boletim InfoTarifas, divulgado pela Aneel, a conta de luz deve registrar aumento médio de 8,6% em 2026.
A estimativa supera as projeções de inflação utilizadas pela própria agência para o período. O boletim considera 5,8% para o IGP-M e 4,9% para o IPCA.
Mesmo diante da perspectiva de alta, a Aneel informou que recursos provenientes do Uso do Bem Público serão destinados à redução do impacto tarifário para consumidores de regiões atendidas pela Sudam e pela Sudene.
A agência também destacou que consumidores cativos de 22 distribuidoras deverão receber descontos nas faturas por causa da destinação desses recursos.











