A obrigação de preencher manualmente a declaração do Imposto de Renda pode estar com os dias contados no Brasil. O governo federal trabalha em um projeto para automatizar o processo de prestação de contas dos contribuintes à Receita Federal e, segundo o Ministério da Fazenda, a expectativa é que a mudança avance nos próximos dois ou três anos.
A proposta foi mencionada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que afirmou que o objetivo é eliminar etapas consideradas repetitivas para quem já possui informações financeiras registradas em bases oficiais.
Segundo o ministro, o modelo atual ainda exige que milhões de brasileiros dediquem tempo para informar dados que, em muitos casos, já estão disponíveis para o Fisco.
A ideia em desenvolvimento é ampliar o sistema de coleta automática de informações e reduzir gradualmente a necessidade de preenchimento manual da declaração.
Modelo deve ampliar declaração pré-preenchida
O projeto prevê a integração de diferentes bases de dados já existentes, reunindo automaticamente informações financeiras dos contribuintes.
Entre os dados que poderão alimentar o sistema estão registros bancários, informações empresariais, movimentações oficiais e dados enviados por operadoras de saúde.
Na prática, o contribuinte deixaria de montar a declaração do zero e passaria a apenas revisar, confirmar ou corrigir os dados apresentados pelo sistema.
O modelo seria uma evolução da declaração pré-preenchida, recurso que vem ganhando espaço nos últimos anos.
Em 2026, segundo dados da Receita Federal, 59,8% das declarações entregues utilizaram a modalidade pré-preenchida, o maior percentual da série histórica.
Mesmo com o avanço da automação, a Receita reforça que continuará sendo responsabilidade do cidadão conferir todas as informações antes da transmissão, já que os dados são enviados por terceiros e podem conter inconsistências.
Imposto de Renda bate recorde em 2026
Neste ano, a Receita Federal recebeu 44.393.571 declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), superando a projeção inicial de 44 milhões e estabelecendo novo recorde.
O volume representa crescimento de aproximadamente 2,4% em relação ao exercício anterior, quando foram entregues 43,3 milhões de declarações dentro do prazo.
Outro indicador que mostrou crescimento foi o uso do sistema Meu Imposto de Renda (MIR), responsável por 22% das transmissões em 2026, enquanto o Programa Gerador da Declaração (PGD) permaneceu como principal canal, concentrando 78% dos envios.
Restituições serão concluídas mais rápido
O calendário de restituições também passou por mudanças.
Em 2026, os pagamentos foram reduzidos de cinco para quatro lotes, com previsão de encerramento antecipado dos créditos.
O primeiro lote foi liberado em 29 de maio e somou R$ 16 bilhões, considerado o maior pagamento único de restituição já realizado.
A expectativa da Receita é que, até o segundo lote, previsto para 30 de junho, aproximadamente 80% dos contribuintes com direito ao crédito já tenham recebido os valores.
Os pagamentos restantes estão programados para ocorrer em 31 de julho e 31 de agosto.
Entrega continua obrigatória para quem está nas regras atuais
Apesar da discussão sobre desobrigação futura, as regras atuais permanecem válidas.
Quem se enquadra nos critérios de obrigatoriedade e ainda não enviou a declaração de 2026 deve regularizar a situação o quanto antes.
A entrega fora do prazo continua sujeita à aplicação de multa mínima de R$ 165,74, além da possibilidade de o CPF ficar com situação de pendência de regularização, o que pode gerar dificuldades em operações financeiras e abertura de empresas.




