Enquanto o Brasil discute o possível fim da escala 6×1, com propostas em tramitação no Congresso Nacional, experiências internacionais já avançam para modelos mais flexíveis. Em Portugal, empresas têm adotado voluntariamente o regime de quatro dias de trabalho por três de descanso (4×3), com resultados considerados positivos por especialistas.
O modelo foi analisado pelo economista Pedro Gomes, professor da Universidade de Londres, que reuniu dados de 41 empresas portuguesas que reduziram a jornada semanal. Segundo ele, a mudança tem potencial para aumentar a produtividade e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, sem prejuízo à economia.
De acordo com o especialista, a redução da jornada pode diminuir faltas, reduzir a rotatividade e estimular setores como lazer e entretenimento. Gomes também argumenta que o aumento da eficiência no tempo de trabalho pode compensar eventuais custos adicionais para as empresas.
Experimentos globais reforçam tendência
A discussão sobre jornadas mais curtas não se limita a Portugal. A entidade 4 Day Week Global coordena testes em diversos países com o objetivo de reduzir em cerca de 20% o tempo de trabalho, mantendo salários e níveis de produtividade.
No Brasil, um projeto-piloto da organização envolveu 22 empresas e apresentou resultados semelhantes aos observados em outros países, como aumento da produtividade e melhora no bem-estar dos funcionários.
Experiências também foram registradas em países como Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha e Japão, geralmente por meio de acordos entre empresas e trabalhadores, sem imposição direta de legislação.
Debate avança no Brasil
No Brasil, a discussão sobre a redução da jornada ganhou força com propostas em análise na Câmara dos Deputados. A deputada Erika Hilton apresentou uma proposta de emenda à Constituição que prevê a adoção da escala 4×3, com limite de 36 horas semanais.
Paralelamente, outras iniciativas sugerem a redução gradual da carga horária atual de 44 horas semanais para 40 horas, mantendo a possibilidade de diferentes formatos de jornada.
O tema tem apoio de diferentes setores políticos, mas ainda enfrenta divergências quanto à forma de implementação. Parte dos parlamentares defende uma transição mais lenta, enquanto outros pressionam por uma aprovação mais rápida.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, já indicou que o assunto será debatido em comissão especial, com expectativa de votação nos próximos meses.
Especialistas apontam que a adoção de jornadas reduzidas depende de fatores como produtividade, setor econômico e negociação coletiva. No Brasil, a reforma trabalhista de 2017 já flexibilizou modelos de trabalho, permitindo formatos como 5×2 e 12×36.




