Queridinha dos adeptos do mundinho fitness, a creatina é um suplemento de aminoácidos que promete ajudar a ganhar força, energia e massa muscular e até melhora na função cerebral, principalmente para idosos. Mas existe uma promessa do suplemento que recentemente foi colocada em cheque por um estudo: o suposto efeito anti-inflamatório.
Será que a creatina realmente tem efeito anti-inflamatório?
Apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), o estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp). De acordo com a Superinteressante, os autores analisaram dados de oito ensaios clínicos randomizados e controlados por placebo para investigar efeitos da suplementação de creatina sobre os biomarcadores inflamatórios mais comuns do organismo.
Os resultados foram bastante mistos, variando de acordo com a população e com o tipo de suplementação. Em casos de participantes que praticavam exercício física intenso e de longa duração e recebiam doses altas, a creatina teve sim efeitos anti-inflamatórios, segundo alguns estudos. Porém, esses mesmos efeitos não foram observados em outros tipos de perfis populacionais. Em estudos com idosos, por exemplo, não houveram reduções significativas de marcadores inflamatórios, mesmo depois de semanas com o suplemento.
Em alguns casos, as melhorias observadas podem ser mais atribuídas ao exercício física do que à suplementação de creatina. Investigações em nível molecular e de recuperação muscular também não identificar um impacto relevante da substância sobre a inflamação.
Ainda assim, os pesquisadores não bateram o martelo sobre o tema, recomendando a realização de mais ensaios clínicos para confirmar os dados observados. “Nosso estudo funciona como um estímulo, uma provocação à comunidade científica, ao evidenciar a necessidade de investigações mais robustas sobre o tema”, aponta o pesquisador Vitor Engracia Valenti, coordenador do grupo e orientador do estudo.




