Mais de um século após o naufrágio do Titanic, uma nova polêmica envolvendo os destroços do navio voltou a ganhar destaque. A empresa RMS Titanic Inc., responsável pelos direitos exclusivos de resgate dos objetos encontrados na embarcação, pretende leiloar mais de 100 artefatos recuperados do local do desastre, mas enfrenta oposição do governo dos Estados Unidos.
De acordo com documentos judiciais recentemente tornados públicos, a companhia pretende colocar à venda peças históricas que incluem pertences pessoais de passageiros, moedas, objetos de cozinha, itens de decoração e joias recuperadas dos destroços do navio, que repousa no fundo do Atlântico Norte desde 1912.
Entre os artefatos citados nos documentos apresentados à Justiça americana estão um querubim de bronze decorativo, um colar feito com pepitas de ouro e um pingente em formato de coração.
Além do leilão, a RMS Titanic planeja organizar uma exposição itinerante internacional com os objetos, passando por quatro cidades que ainda não foram divulgadas oficialmente.
A empresa, sediada no estado da Geórgia, nos Estados Unidos, é responsável por milhares de itens retirados dos destroços desde 1987. Ao longo das últimas décadas, também recuperou partes da estrutura do navio, incluindo seções do casco.

Governo americano tenta barrar operação
A proposta encontrou resistência da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), órgão que representa os interesses americanos relacionados à preservação do local do naufrágio.
Segundo a agência, a venda dos objetos pode violar compromissos legais assumidos pela própria RMS Titanic quando recebeu os direitos exclusivos de resgate da embarcação.
Nos documentos apresentados à Justiça, o governo argumenta que a empresa estaria tentando avançar com a venda sem buscar autorização judicial e ignorando restrições existentes sobre a comercialização dos artefatos.
A RMS Titanic, por sua vez, sustenta que o leilão não desrespeita acordos nem determinações judiciais anteriores.
Debate sobre preservação histórica
A discussão reacende um debate antigo sobre a destinação dos objetos retirados do Titanic. Críticos da venda afirmam que os artefatos possuem valor histórico e arqueológico e deveriam permanecer acessíveis ao público em museus e exposições.
Especialistas lembram que, nos anos 1990, a empresa obteve os direitos exclusivos de exploração do local mediante o compromisso de não comercializar os itens recuperados.
Para exploradores e pesquisadores, transformar peças históricas em objetos de coleção privada pode comprometer a preservação da memória de uma das maiores tragédias marítimas da história.
Fascínio pelo Titanic continua movimentando milhões
Apesar das controvérsias, o interesse mundial pelo Titanic segue elevado. O navio afundou em abril de 1912 após colidir com um iceberg durante sua viagem inaugural entre a Europa e Nova York, provocando a morte de mais de 1.500 pessoas.
Esse fascínio histórico ajuda a explicar os altos valores alcançados por objetos ligados ao desastre. Diferentemente dos itens retirados diretamente dos destroços, pertences recuperados por sobreviventes ou por equipes de resgate podem ser comercializados legalmente.
Em abril deste ano, por exemplo, um colete salva-vidas utilizado por um passageiro foi vendido por mais de US$ 900 mil. Já um relógio de bolso de ouro entregue ao capitão do navio que resgatou sobreviventes foi arrematado por quase US$ 2 milhões em 2024.




