Um sargento das forças especiais dos Estados Unidos foi preso nesta quinta-feira (23) acusado de lucrar ilegalmente com informações privilegiadas relacionadas à captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Segundo autoridades americanas, o militar teria obtido cerca de US$ 400 mil, aproximadamente R$ 2 milhões, ao apostar antecipadamente na destituição do líder.
De acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o sargento Gannon Ken Van Dyke utilizou dados sigilosos obtidos durante o planejamento da operação militar para realizar apostas em uma plataforma digital de previsões.
As investigações apontam que Van Dyke participou diretamente do planejamento da operação que resultou na captura de Maduro, iniciada em dezembro de 2025. Durante esse período, ele teria feito ao menos 13 apostas na plataforma Polymarket, investindo cerca de US$ 33 mil em previsões relacionadas à intervenção militar e à queda do governo venezuelano.
As apostas foram realizadas pouco antes do anúncio oficial da operação, feito pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Com o desfecho favorável, o militar acumulou ganhos expressivos.
O Departamento de Justiça afirma que o sargento violou acordos de confidencialidade ao usar informações classificadas para benefício próprio, o que configura crimes como fraude financeira, uso indevido de dados governamentais e transações ilegais.
Investigação aponta tentativa de ocultação dos ganhos
Após lucrar com as apostas, Van Dyke teria transferido grande parte do dinheiro para contas vinculadas a criptomoedas e, posteriormente, para uma corretora, numa tentativa de ocultar a origem dos recursos. Ele também solicitou a exclusão de sua conta na plataforma de apostas, alegando perda de acesso ao e-mail cadastrado.
Autoridades federais destacam que o caso é tratado como grave violação de confiança. Em nota, representantes do governo afirmaram que membros das forças armadas têm acesso a informações sensíveis exclusivamente para cumprir suas funções, sendo proibido qualquer uso para ganho pessoal.
Possível pena pode chegar a décadas de prisão
O militar, que ingressou no Exército em 2008 e alcançou uma das mais altas patentes entre praças, agora responde a diversas acusações criminais. Caso seja condenado, poderá enfrentar uma pena que pode chegar a até 60 anos de prisão.
O caso também traz o debate sobre o uso de informações privilegiadas em mercados de apostas e a necessidade de maior regulação dessas plataformas, especialmente quando envolvem temas sensíveis como operações militares e decisões de governo.




