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Mulher passou quase 30 anos sem diagnóstico e descobriu doença rara após dar match com estudante de medicina no Tinder

Por Pedro Silvini
18/09/2026
Em Geral
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paciente médico doutor

Foto: (Reprodução/Magnific)

Uma conversa iniciada em um aplicativo de relacionamentos acabou levando a uma descoberta médica que Maria Paula Vieira procurava havia quase três décadas. A comunicadora, hoje com 33 anos, convivia desde a infância com dores crônicas e alterações na pele sem saber exatamente qual era a origem do problema. Pouco antes da pandemia de Covid-19, ela entrou no Tinder e deu match com Lucas, então estudante de Medicina. A amizade criada durante o isolamento social acabou abrindo caminho para uma nova investigação sobre os sintomas.

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Maria contou ao estudante sobre sua deficiência e sobre a longa trajetória em consultórios e hospitais em busca de um diagnóstico. Como as principais manifestações estavam relacionadas à pele, os dois conversaram sobre a possibilidade de procurar novamente um dermatologista. Lucas, mesmo ainda em formação, também não conseguiu identificar imediatamente a causa dos sintomas, mas decidiu investigar o caso.

“Ele falou: ‘Não faço ideia do que pode ser. Mas vou investigar, eu vou atrás. No seu retorno, digo se eu tenho uma resposta ou não'”, contou Maria Paula.

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Cerca de um mês depois, quando ela voltou ao médico, recebeu a resposta que procurava havia anos: o quadro estava relacionado à eritromelalgia primária associada à síndrome de Olmsted, uma doença genética extremamente rara.

Síndrome de Olmsted pode provocar alterações severas na pele

A síndrome de Olmsted é uma doença genética rara classificada entre os distúrbios de queratinização. A condição costuma aparecer no nascimento ou ainda durante a infância e pode apresentar manifestações bastante diferentes entre os pacientes. Cerca de 73 casos haviam sido descritos mundialmente nos registros considerados na base das informações.

Entre os sinais mais característicos estão o espessamento da pele das palmas das mãos e das plantas dos pés, conhecido como queratodermia palmoplantar, além de placas endurecidas ao redor de aberturas do corpo, como boca e nariz. Em alguns pacientes, a doença também pode provocar alterações nas unhas e nos cabelos, alterações na córnea, infecções recorrentes e deformidades nos dedos.

Foto: (Reprodução/Puneet Batra, Naseem Shah,
https://doi.org/10.1016/j.tripleo.2003.10.025)

A dor e a coceira também podem fazer parte do quadro e, em determinadas pessoas, atingir intensidade elevada. A chamada pseudoainhum, uma constrição anormal dos dedos causada pelo espessamento da pele, é outro sinal que pode aparecer associado à doença.

A síndrome pode afetar homens e mulheres, embora os registros apontem maior frequência entre pacientes do sexo masculino. A maioria dos casos relatados ocorre de maneira esporádica, mas também existem casos familiares associados a diferentes padrões de herança genética.

Alterações genéticas ajudam a explicar a doença

A origem da síndrome está relacionada a alterações genéticas que interferem no funcionamento e na formação normal da pele. A queratina, proteína fundamental para a estrutura e proteção do tecido cutâneo, desempenha papel importante nesse processo. Quando determinadas mutações prejudicam mecanismos relacionados à pele, podem ocorrer alterações que levam ao espessamento característico da queratodermia.

Pesquisas identificaram principalmente alterações no gene TRPV3, que participa do funcionamento das células da pele. Dependendo da mutação, a síndrome pode apresentar padrão de herança autossômico dominante ou recessivo.

Também foi identificada uma forma recessiva ligada ao cromossomo X associada a mutações no gene MBTPS2. Esse padrão ajuda a explicar por que determinadas manifestações da síndrome aparecem com maior frequência entre homens.

O diagnóstico pode ser confirmado por meio de testes genéticos capazes de identificar alterações específicas. Além de auxiliar na confirmação da doença, a investigação genética pode fornecer informações importantes para familiares, inclusive sobre os padrões de herança e a possibilidade de transmissão da condição para futuras gerações.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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