Uma tecnologia desenvolvida no Brasil ganhou destaque internacional após ser utilizada pela NASA durante a missão Artemis II, que orbitou a Lua no mês passado. O equipamento, criado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), foi apresentado pelo governo paulista durante a SP Innovation Week, evento voltado para inovação e tecnologia realizado na última semana.
O dispositivo utilizado na missão espacial é um actígrafo, equipamento semelhante a um relógio de pulso capaz de monitorar padrões de sono, níveis de atividade física e exposição à luz dos usuários.
A tecnologia foi desenvolvida na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, sob coordenação do professor Mario Pedrazzoli, especialista em cronobiologia. O aparelho registra continuamente movimentos corporais, intensidade luminosa e até a composição da luz ambiente, incluindo a chamada luz azul, considerada essencial para o funcionamento do ciclo sono-vigília.

Equipamento ajuda NASA a estudar saúde dos astronautas
Durante missões espaciais, o controle do sono é considerado um dos grandes desafios enfrentados pelos astronautas. A ausência de um ciclo natural entre dia e noite pode provocar alterações importantes no organismo e afetar diretamente o desempenho da tripulação.
Por isso, a NASA utilizou o actígrafo brasileiro para acompanhar como os astronautas reagiram ao ambiente espacial durante a missão Artemis II.
Os dados coletados servirão para análises sobre ritmos circadianos, desempenho cognitivo, níveis de atividade e impactos da exposição irregular à luz em ambientes extremos.
Segundo especialistas, esse tipo de monitoramento é considerado estratégico em futuras missões espaciais de longa duração, especialmente em projetos ligados à exploração lunar e viagens para Marte.
Tecnologia brasileira nasceu em pesquisa acadêmica
Diferentemente de relógios inteligentes convencionais, o actígrafo desenvolvido pela USP possui aplicação científica e maior precisão para pesquisas relacionadas à neurociência, saúde pública e ritmos biológicos.
A tecnologia surgiu a partir de pesquisas financiadas pelo Programa PIPE, da FAPESP, e posteriormente passou a ser aprimorada pela empresa brasileira Condor Instruments, responsável pela produção do equipamento.
Além do uso espacial, o dispositivo também é utilizado em estudos clínicos e pesquisas sobre distúrbios do sono, permitindo o acompanhamento contínuo do comportamento dos usuários por vários dias ou semanas sem interferir na rotina diária.
O equipamento consegue registrar dados em tempo real sobre atividade corporal e exposição luminosa, fornecendo informações importantes para pesquisadores da área da saúde e do comportamento humano.



