A proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros acendeu um alerta entre empresários e autoridades, mas especialistas avaliam que os efeitos mais imediatos devem recair sobre a indústria exportadora, e não diretamente sobre os consumidores brasileiros.
A medida foi apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) como parte de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelo governo americano para contestar práticas consideradas desleais ou prejudiciais ao comércio do país.
Apesar de prever uma taxação ampla sobre importações brasileiras, a proposta exclui uma série de produtos considerados estratégicos para a economia americana, o que reduz parte dos riscos para importantes setores exportadores do Brasil.

Produtos estratégicos ficaram de fora
Entre os itens que aparecem na lista de exceções estão produtos que possuem forte participação na pauta de exportações brasileiras para os Estados Unidos.
Ficaram fora da proposta inicial:
- Carne bovina;
- Café;
- Frutas tropicais;
- Nozes e castanhas;
- Especiarias;
- Petróleo;
- Minérios metálicos;
- Terras-raras;
- Aeronaves e peças aeronáuticas;
- Fertilizantes;
- Produtos farmacêuticos;
- Determinados produtos eletrônicos.
Segundo analistas, a exclusão desses segmentos demonstra uma preocupação do governo americano em evitar problemas de abastecimento interno e aumento de custos para consumidores e empresas dos próprios Estados Unidos.
Entre os produtos preservados, a carne bovina aparece como um dos casos mais emblemáticos. Estimativas apontam que cerca de 15% da carne bovina consumida pelos americanos é importada do Brasil.
Indústria pode ser a mais afetada
Economistas consultados por veículos especializados apontam que, caso a medida seja efetivamente implementada, os impactos mais relevantes deverão atingir setores industriais que dependem do mercado americano.
O aumento de custos pode reduzir a competitividade de produtos brasileiros nos Estados Unidos, levando empresas a buscar novos mercados ou absorver parte das perdas para manter contratos em vigor.
A avaliação predominante é que os efeitos não devem provocar uma pressão imediata sobre os preços ao consumidor brasileiro, mas podem afetar investimentos, produção e exportações em segmentos específicos.
A proposta ainda não representa uma decisão definitiva. O governo americano abriu um período de consulta pública para receber manifestações de empresas, entidades e cidadãos interessados.
O cronograma prevê:
- Até 22 de junho: prazo para pedidos de participação na audiência pública;
- Até 1º de julho: envio de comentários escritos;
- 6 de julho: realização da audiência pública;
- 15 de julho: prazo previsto para eventual definição das medidas.
O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que as conversas entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se intensificaram nas últimas semanas e classificou os encontros como construtivos.
Motivações apontadas pelos EUA
O relatório americano cita uma série de questões para justificar a proposta de tarifa, incluindo:
- Comércio digital e serviços de pagamento eletrônico;
- Funcionamento do Pix;
- Acordos comerciais preferenciais do Brasil;
- Política relacionada ao etanol;
- Combate à corrupção;
- Proteção da propriedade intelectual;
- Fiscalização do desmatamento ilegal.
Segundo o USTR, essas práticas seriam passíveis de medidas comerciais corretivas. O governo brasileiro, por sua vez, acompanha o processo e aguarda o desfecho das negociações antes de avaliar eventuais respostas.




