A Argentina passou a integrar o grupo de países com as piores condições para trabalhadores em 2026, segundo o Índice Global de Direitos, divulgado pela Confederação Sindical Internacional (CSI). O país vizinho do Brasil foi rebaixado para a categoria 5, a classificação mais baixa do levantamento, destinada a locais onde os direitos trabalhistas deixam de ter garantia efetiva.
De acordo com a entidade, a deterioração argentina foi uma das mais expressivas observadas neste ano e contribuiu diretamente para o pior desempenho já registrado pelas Américas desde o início da série histórica do índice, em 2014.
O estudo avalia 151 países com base em 97 indicadores construídos a partir das convenções e da jurisprudência da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Argentina registra uma das maiores quedas do levantamento
Segundo a CSI, a Argentina saiu da categoria 3 para a categoria 5 em apenas dois anos, movimento considerado incomum dentro da série histórica.
A entidade afirma que o ambiente para trabalhadores e sindicatos se tornou mais restritivo e cita mudanças relacionadas à segurança pública, controle de manifestações e dificuldades para exercício de direitos coletivos.
Entre os episódios destacados está a greve geral realizada em fevereiro contra propostas de reforma trabalhista do governo do presidente Javier Milei.
Na ocasião, paralisações afetaram parte da atividade econômica e mobilizações levaram milhares de pessoas às ruas de Buenos Aires. Os protestos terminaram em confrontos com forças policiais nas proximidades do Congresso argentino.
Para a confederação, a piora não significa ausência total de legislação trabalhista, mas dificuldades na aplicação prática e proteção efetiva desses direitos.
Veja os dez países com piores condições para trabalhadores em 2026
Segundo o Índice Global de Direitos 2026, os países enquadrados na categoria mais crítica foram:
- Argentina
- Belarus
- Equador
- Egito
- Essuatíni
- Mianmar
- Nigéria
- Panamá
- Tunísia
- Turquia
No caso do Panamá, o relatório aponta obstáculos ao exercício de direitos sindicais e dificuldades atribuídas tanto a empregadores quanto ao Estado.
Já o Equador foi citado por mudanças legislativas aprovadas em 2025 que ampliaram mecanismos de monitoramento e coleta de dados em determinadas situações.
Brasil permanece em grupo intermediário; Uruguai é destaque positivo
O Brasil apareceu na categoria 4 do índice, classificação atribuída a países com violações sistemáticas de direitos trabalhistas.
No mesmo grupo estão países como Costa Rica, El Salvador, Peru e Trinidad e Tobago. Já México, Chile, Paraguai e Bolívia ficaram na categoria 3.
Entre os latino-americanos, o principal destaque foi o Uruguai, único da região a alcançar a categoria 1, reservada aos países com apenas violações esporádicas dos direitos dos trabalhadores.



