Metade das mães solo brasileiras não consegue realizar sequer uma viagem a lazer ao longo de um ano, segundo dados da pesquisa “Tendências de Turismo – Verão 2025”, realizada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados em parceria com o Ministério do Turismo. O levantamento mostra uma diferença significativa em relação aos pais solo: entre os homens que criam os filhos sem companheira, 37% afirmaram não fazer nenhuma viagem de lazer no período.
A desigualdade aumenta quando são considerados os brasileiros que conseguem viajar com maior frequência. Entre os pais solo, 16% realizam quatro ou mais viagens de lazer por ano. Entre as mães solo, esse percentual cai para apenas 1%.
Os números ajudam a dimensionar uma realidade que ultrapassa a possibilidade de simplesmente viajar. As diferenças de tempo, renda, oportunidades profissionais e acesso a serviços também interferem na possibilidade de mães e pais que criam os filhos sozinhos reservarem recursos para atividades de lazer.
Mulheres viajam menos, apesar de demonstrarem maior interesse
A pesquisa mostra ainda que a diferença não parece estar relacionada à falta de interesse das mulheres por viagens. Pelo contrário: guardar dinheiro para viajar aparece com maior frequência entre elas quando comparadas aos homens.
Entre as mulheres em geral, 27% afirmaram que gostariam de economizar dinheiro com esse objetivo, contra 24% dos homens. Quando considerados todos os pais e mães, independentemente do estado civil, os percentuais são de 23% entre as mulheres e 22% entre os homens.
A distância aumenta entre pessoas que não têm filhos. Nesse grupo, 35% das mulheres apontam a viagem como uma prioridade financeira, enquanto o percentual entre os homens é de 26%.
Entre as mães e os pais solo que conseguem viajar, a frequência também apresenta diferenças. O grupo que realiza duas ou três viagens por ano reúne 13% das mães solo e 18% dos pais solo. Já entre aqueles que fazem uma única viagem anual, os índices são iguais: 29% em ambos os grupos.
Maternidade solo também aparece em outros indicadores
A desigualdade observada no turismo ocorre em um contexto no qual uma parcela expressiva das mães brasileiras não vive com um companheiro. Segundo dados de pesquisa do Datafolha citados no levantamento, 55% das mães são solteiras, viúvas ou divorciadas.
O cenário também se reflete na situação profissional. Entre as mães solo, 18% estão desempregadas, enquanto entre mulheres casadas ou que vivem com companheiro o percentual é de 8%.
Os dados foram obtidos a partir de entrevistas realizadas com mulheres de 16 anos ou mais, em 126 cidades brasileiras, entre os dias 9 e 13 de janeiro. Ao todo, foram ouvidas 1.042 pessoas.
A escolaridade também apresenta uma diferença relevante. De acordo com o levantamento, mulheres sem filhos têm uma probabilidade 112% maior de ter concluído o ensino superior do que mães de crianças pequenas.











