A chinesa BYD prepara uma nova fase de expansão global e já definiu o Brasil como um dos mercados estratégicos para receber o inédito Dolphin G, hatch híbrido plug-in que será lançado em 2026. O modelo marcará uma mudança importante na trajetória da fabricante por ser o primeiro carro da marca desenvolvido especificamente para atender às exigências do consumidor europeu.
A confirmação foi feita pela vice-presidente executiva global da empresa, Stella Li, durante o evento Future of the Car Summit. Segundo ela, o Dolphin G foi concebido “puramente para a Europa”, em um movimento de regionalização da linha da montadora chinesa.
O hatch híbrido plug-in deverá estrear oficialmente em julho, durante o Festival de Velocidade de Goodwood, antes mesmo de chegar ao mercado chinês.
O novo Dolphin G representa uma mudança relevante na estratégia da BYD. Até agora, a família Dolphin era composta apenas por veículos totalmente elétricos. A nova geração, porém, aposta em tecnologia híbrida plug-in para atender consumidores que ainda demonstram resistência à migração completa para carros elétricos.
Na Europa, questões ligadas à infraestrutura de recarga e autonomia em viagens longas ainda limitam o avanço dos modelos 100% elétricos. Por isso, a fabricante decidiu ampliar a presença da tecnologia DM-i, sistema híbrido plug-in já utilizado em outros veículos da marca.
Segundo Stella Li, a ausência de modelos com motor a combustão fazia a empresa perder participação justamente no segmento de maior volume do mercado europeu.

Hatch terá visual diferente do Dolphin vendido no Brasil
Protótipos camuflados flagrados em testes na China mostram mudanças importantes em relação ao Dolphin elétrico atualmente vendido no Brasil.
O modelo ganhará:
- dianteira redesenhada;
- novas entradas de ar para refrigeração do motor;
- traseira modificada para acomodar o sistema de escape;
- balanço dianteiro maior;
- alterações estruturais no interior.
A proposta é aproximar o hatch do gosto europeu, reduzindo a dependência excessiva de comandos em telas e oferecendo um comportamento dinâmico mais adaptado às ruas estreitas de cidades como Paris, Roma e Londres.
A BYD também definiu um limite de até 4,30 metros para seus futuros carros urbanos europeus. O Dolphin G terá exatamente esse porte, ficando próximo do tamanho de modelos como o Volkswagen Golf.
Motorização híbrida pode entregar até 262 cv
As informações divulgadas pela imprensa europeia e chinesa apontam que o Dolphin G compartilhará componentes com o BYD Yuan Pro DM-i, conhecido na Europa como Atto 2.
O conjunto mecânico deverá utilizar:
- motor 1.5 aspirado a combustão;
- motor elétrico dianteiro;
- sistema híbrido plug-in DM-i;
- bateria Blade Battery de nova geração.
A potência combinada pode chegar a aproximadamente 262 cv em algumas versões.
O sistema alternará entre funcionamento em modo série — quando o motor térmico atua apenas como gerador — e modo paralelo, em que os dois propulsores trabalham juntos nas acelerações.
Autonomia acima de mil quilômetros
Um dos principais atrativos do novo hatch será a eficiência energética. A expectativa é de consumo homologado próximo de 55,5 km/l em determinadas condições.
Além disso, o modelo poderá oferecer:
- autonomia combinada superior a 1.000 quilômetros;
- até 90 quilômetros em modo totalmente elétrico;
- possibilidade de deslocamentos urbanos sem uso do motor a combustão.
Para o mercado brasileiro, existe a expectativa de adoção de motorização flex, repetindo a estratégia já anunciada para o BYD Song Pro.
BYD cresce rapidamente no Brasil
O lançamento ocorre em meio ao avanço acelerado da BYD no mercado brasileiro. Em abril, a marca chinesa alcançou o topo das vendas no varejo nacional, com 14,9 mil veículos comercializados nas concessionárias, superando a Volkswagen.
Considerando também vendas diretas para locadoras e empresas, a montadora fechou o mês na quinta posição geral, atrás de Fiat, Volkswagen, GM e Hyundai, mas registrando recorde próprio de 18,5 mil unidades vendidas.
O desempenho foi puxado principalmente pelo BYD Dolphin Mini, líder entre os elétricos no varejo brasileiro, e pela linha híbrida Song, que segue ampliando participação no país.




