O medicamento Wegovy em comprimido, desenvolvido pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, alcançou mais de 3 milhões de prescrições nos Estados Unidos desde o lançamento, em janeiro de 2026.
Segundo a empresa, o primeiro milhão de prescrições foi atingido 12 semanas após a chegada do produto às farmácias e plataformas de atendimento online. Os dois milhões seguintes foram registrados em apenas dez semanas, ritmo que equivale a aproximadamente uma nova prescrição a cada cinco segundos.
Os dados indicam que mais de 80% dos pacientes que iniciaram o tratamento com o comprimido não haviam utilizado anteriormente medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, grupo utilizado no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
A Novo Nordisk atribui parte do crescimento ao formato oral do medicamento. Até então, a semaglutida para controle de peso era amplamente conhecida por meio das chamadas “canetas emagrecedoras”, administradas por injeção.
A empresa avalia que a versão em comprimido tem atraído pessoas que antes não buscavam tratamento, ampliando o mercado de combate à obesidade.
Paralelamente, a farmacêutica lançou o Wegovy HD, nova versão injetável de aplicação semanal com dose de 7,2 miligramas de semaglutida, quase três vezes superior ao limite anterior de 2,4 miligramas disponível na linha do medicamento.
Segundo a companhia, a nova formulação também registrou forte adesão inicial entre pacientes e profissionais de saúde.

Expansão internacional e concorrência crescente
O avanço das prescrições ocorre em meio à estratégia global de expansão da Novo Nordisk. Recentemente, a empresa iniciou a comercialização do comprimido nos Emirados Árabes Unidos, primeiro mercado fora dos Estados Unidos a receber a versão oral do medicamento.
Novos lançamentos internacionais estão previstos para o segundo semestre de 2026.
Ao mesmo tempo, a concorrência no segmento aumentou após a chegada ao mercado norte-americano do Foundayo, medicamento oral contra a obesidade desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly.
Mercado cresce e chama atenção das autoridades
O sucesso comercial dos medicamentos para perda de peso ocorre em um momento de expansão acelerada desse mercado em diversos países, incluindo o Brasil.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva apontou que 62% dos brasileiros afirmam conhecer alguém que já utilizou ou utiliza canetas emagrecedoras. O levantamento também mostrou que um em cada três domicílios do país possui ao menos um morador que faz ou já fez uso desses medicamentos.
O crescimento da procura tem levado autoridades sanitárias a reforçar a fiscalização do setor.
Anvisa discute regras mais rígidas
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve retomar nesta semana a discussão sobre novas regras para a manipulação de medicamentos que contenham semaglutida e tirzepatida.
A proposta prevê exigências mais rigorosas para importação de insumos farmacêuticos, certificação de fornecedores, controle de qualidade, armazenamento, transporte e monitoramento dos produtos manipulados.
Entre as medidas em análise estão a obrigatoriedade de testes laboratoriais realizados em território nacional para verificar pureza, esterilidade, estabilidade e outros parâmetros de segurança dos insumos utilizados pelas farmácias de manipulação.
O texto também propõe a implantação de sistemas de farmacovigilância para acompanhar e registrar possíveis efeitos adversos associados ao uso dos medicamentos.
Especialistas consideram que a iniciativa representa um avanço no controle sanitário do setor, embora ainda existam discussões sobre os prazos de adaptação das empresas e sobre a necessidade de mecanismos adicionais para garantir a segurança e a eficácia dos produtos manipulados.




