O avanço do fenômeno climático El Niño colocou órgãos federais e centros de pesquisa em estado de atenção no Brasil. Diante da previsão de intensificação dos efeitos ao longo do segundo semestre de 2026 e início de 2027, o governo decidiu ampliar o monitoramento e passará a realizar reuniões semanais para acompanhar os impactos e coordenar ações preventivas em todo o país.
Até agora, representantes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro já realizaram três reuniões técnicas para alinhar estratégias de resposta.
Segundo o governo, as ações buscam fortalecer a articulação com estados, municípios, universidades e organizações da sociedade civil para reduzir os efeitos de eventos extremos associados ao fenômeno.
O El Niño ocorre devido ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse processo altera a circulação dos ventos e modifica padrões climáticos em diferentes regiões do planeta.
Especialistas ouvidos em sessão temática no Senado destacaram que o fenômeno já é conhecido, mas os episódios recentes mostram que eventos extremos deixaram de ser exceção no Brasil.
Há projeções indicando que 2027 poderá figurar entre os anos mais quentes já registrados globalmente caso o fenômeno atinja maior intensidade.
De acordo com estimativas internacionais citadas pelo Cemaden, existe probabilidade de 37% de o evento evoluir para um cenário classificado como “Super El Niño”.
Norte e Nordeste podem enfrentar seca e pressão sobre recursos hídricos
Os estudos indicam que os impactos não serão uniformes entre as regiões brasileiras.
Para Norte e Nordeste, o cenário esperado envolve temperaturas acima da média e redução das chuvas, aumentando o risco de estiagem prolongada e dificuldades no abastecimento.
O Cemaden alerta que a disponibilidade hídrica pode sofrer pressão adicional, especialmente em áreas ligadas às bacias dos rios Xingu, Madeira e Tocantins-Araguaia.
Além do abastecimento, o cenário pode gerar impactos sobre geração de energia e atividades econômicas dependentes dos recursos hídricos.
Sul entra em alerta para chuvas intensas e enchentes
Enquanto o Norte e Nordeste tendem a enfrentar seca, o Centro-Sul deve registrar comportamento oposto.
As previsões apontam maior probabilidade de chuvas intensas e aumento do risco de enchentes, sobretudo na Região Sul e, em menor escala, em áreas de Mato Grosso do Sul.
O estado do Rio Grande do Sul aparece entre os pontos de maior atenção, com expectativa de volumes elevados de chuva durante primavera e verão, especialmente em regiões como Ijuí, Uruguaiana, Santa Maria, Passo Fundo, Caxias do Sul e Pelotas.
Em Santa Catarina, o monitoramento também indica possibilidade de aumento significativo das precipitações, com atenção para áreas como Joinville, Criciúma, Lages, Chapecó e Caçador.

Ondas de calor também entram no radar
Além de seca e excesso de chuva, especialistas projetam novas ondas de calor no país.
A expectativa é que regiões do Sul e Sudeste voltem a registrar temperaturas elevadas em padrão semelhante ao observado em 2024.
Diante desse cenário, os encontros técnicos que antes aconteciam a cada 45 dias passam a ocorrer semanalmente, numa tentativa de antecipar respostas e reduzir impactos sobre infraestrutura, abastecimento, agricultura e população.




