A maioria de nós ama viajar. Se você perguntar dez pessoas se elas gostam de viajar, o nosso chute é que pelo menos nove vão responder que sim. Mas existem alguns casos em que esse amor é um pouco mais extremo: em que você mal chega de uma viagem e já começa a se coçar para planejar uma nova, em que a maior parte do dinheiro que você economiza vai justamente para financiar seu próximo passeio. Para algumas pessoas, esse comportamento pode se encaixar no que chamamos de “dromomania”.
O que é a dromomania?
Consultado pelo O Tempo, o professor da Escola de Ciência da Informação da UFMG e doutor em psicologia social, Cláudio Paixão, explica o termo vem do grego, em que “dromo” significa correr, e “mania”, impulso incontrolável. O psicólogo explica que o termo era muito usado para pessoas com problemas como esquizofrenia, transtorno de personalidade ou borderline, saíram andando sem destino, perambulando e até indo morar nas ruas.
Com a difusão da palavra, ela ganhou outros sentidos. Um deles é de pessoas que viajam com pouco dinheiro e que são vistas pela maioria como “aventureiras” e “espíritos livres”. Por fim, temos um conceito que fica entre esse e o sintoma psiquiátrico, sendo usado para definir uma pessoa com compulsão por viajar, uma “espécie de vício”, como explica Paixão.
O especialista explica que vários gatilhos podem ativar esse tipo de quadro, como crises familiares. “Também há pessoas que querem fugir da sua rotina cotidiana buscando outro tipo de vida, ou passam por situações desagradáveis e escolhem abandonar esses problemas, como acontece com adolescentes que fogem”, exemplificou o professor.
Quando a “paixão por viajar” pode virar um problema?
Ao O Tempo, o professor da UFMG explica que a questão pode precisar de tratamento se a pessoa fica tão deprimida ao voltar de viagens que não consegue voltar à rotina ou se gasta o que tem (e o que não tem) para alimentar esse necessidade de estar sempre “na estrada”.




