Belo Horizonte foca em biofábricas e ecoflorestas
A educação ambiental deixou de ser uma ação pontual para se consolidar como um dos pilares das políticas públicas capazes de transformar negócios, cidades, territórios e relações sociais.
Muito mais que engajar crianças e adolescente, Belo Horizonte traz a experiência da prefeitura (PBH), que facilita formação, informação e participação da população. Para Tiago Ferreira, biólogo e especialista em restauração ambiental, isso é tão estratégico quanto obras de infraestrutura quando o objetivo é enfrentar a crise climática, proteger recursos naturais, garantir qualidade de vida e favorecer a Nova Economia.
A gestão municipal tem a Diretoria de Educação Ambiental (Deam), na Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA), unidade responsável por formular e executar políticas e ações de educação ambiental na cidade, tais como oficinas, formações, mobilizações, projetos. É o órgão que coordena programas, os Centros de Educação Ambiental e ações com escolas e comunidades pela educação ambiental
Um exemplo consistente de como a educação ambiental pode sair do discurso e se tornar prática cotidiana é o Projeto Escola Verde, uma parceria entre a SMMA e a Secretaria Municipal de Educação (SME), que tem como objetivo transformar as escolas da rede municipal em ecossistemas verdes.
Inspirado em diretrizes da Unesco, o projeto promove vivências concretas. As escolas participantes recebem ações de plantio, implantação de ecoflorestas, meliponários de abelhas sem ferrão, instalação de pluviômetros pedagógicos e uma programação contínua de formações e oficinas.

A proposta é integrar educação, meio ambiente e território, fortalecendo a relação dos estudantes com a cidade e estimulando o cuidado coletivo com os espaços onde vivem. O público-alvo são escolas infantis e municipais da rede pública, que aderem ao projeto por meio da Diretoria de Educação Ambiental da PBH.
Complementando esse esforço, a PBH também investe na formação continuada de educadores por meio do EcoEscola BH, um programa que reúne cursos, certificações e reconhecimento de boas práticas ambientais nas unidades escolares. A iniciativa inclui o EcoEscolaEaD, com 19 cursos disponíveis na plataforma Moodle da PBH, voltados para professores da rede municipal e parceiros.
Além da formação, o programa prevê a concessão de selos e certificações para escolas que adotam práticas sustentáveis no dia a dia, incentivando a incorporação permanente da pauta ambiental na gestão escolar. O objetivo é garantir que a educação ambiental esteja conectada à realidade urbana de Belo Horizonte e que professores atuem como multiplicadores de conhecimento, fortalecendo uma cultura de sustentabilidade desde a infância.
Outro eixo fundamental são os Centros de Educação Ambiental, distribuídos em diferentes regiões da cidade. Somente no último ano, mais de 50 mil pessoas participaram de oficinas, cursos, trilhas e atividades formativas nesses espaços, ampliando o acesso da população ao conhecimento ambiental e fortalecendo o vínculo entre comunidade e meio ambiente.
Programas como o BH Itinerante, o Ambiente em Foco Virtual, o Poliniza BH e a Biofábrica de Joaninhas ampliam esse alcance ao dialogar com temas como agroecologia, biodiversidade urbana, controle biológico de pragas e adaptação às mudanças climáticas.
“São ações que mostram que educação ambiental também é inovação, ciência aplicada, política pública integrada e desenvolvimento sustentável. E esse conjunto de iniciativas conecta-se diretamente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) como ODS 4 – Educação de Qualidade, ao promover aprendizagem crítica e continuada; com o ODS 6 – Água Potável e Saneamento, ao estimular o cuidado com os recursos hídricos; com o ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis, ao fortalecer o pertencimento e o cuidado com os territórios urbanos; e com o ODS 13 – Ação Climática, ao preparar a sociedade para mitigação e adaptação aos impactos do clima e o ODS 1 – Erradicação da Pobreza quando coloca o sujeito no centro da transição de mentalidade”, comenta a diretora da Deam, Ana Paula Assunção.

Para Ana Paula Assunção, ao integrar educação, participação social e investimentos estruturantes, Belo Horizonte demonstra que desenvolvimento e preservação estão juntos. Em consonância com a diretora, Tiago Ferreira completa que iniciativas como a da PBH mostram que, quando a educação ambiental é tratada como política pública estruturante, se torna uma ferramenta poderosa para formar cidadãos conscientes, qualificar o ensino e contribuir diretamente para cidades mais desenvolvidas economicamente estáveis, sustentáveis e resilientes.
“A Nova Economia só se sustenta quando as pessoas entendem o valor da água, do saneamento e do meio ambiente. A educação ambiental transforma dados e investimentos públicos em consciência coletiva. É ela que prepara cidadãos, profissionais e empresas para decisões mais responsáveis e para um desenvolvimento que respeita os limites do território”, contextualiza Ferreira.
Ainda segundo o especialista, a educação ambiental precisa estar presente não apenas nas escolas, mas também nas empresas, independentemente do porte já que a longevidade dos negócios depende diretamente da forma como cuidamos do planeta hoje. Parte inferior do formulário.
Engajamento estudantil na Pampulha
A Lagoa da Pampulha foi cenário de uma ação de educação ambiental no sábado (7), tendo em vista unir cultura, cidadania e preservação do patrimônio natural de Belo Horizonte. Estudantes do Sistema Divina Providência e integrantes do Grupo Escoteiro de Venda Nova participaram de uma mobilização educativa voltada à conscientização sobre a importância do cuidado contínuo com todo o complexo da Pampulha.
A programação incluiu caminhada de reconhecimento da orla com coleta simbólica de resíduos, mini aula sobre preservação ambiental e os desafios da recuperação da lagoa, além de atividades culturais abertas ao público. Especialistas em sustentabilidade e representantes da Associação Pró-Civitas dialogaram com crianças e adolescentes sobre os impactos do descarte irregular de lixo, o papel da educação ambiental e a necessidade de ações de médio e longo prazo para a despoluição do manancial.
Para muitos alunos, a visita representou o primeiro contato com a Lagoa da Pampulha, patrimônio cultural da humanidade reconhecido pela Unesco. O encerramento da mobilização contou com a apresentação do coral infantil do Sistema Divina Providência, reforçando a conexão entre cultura, educação e cuidado com o meio ambiente.
A iniciativa integra um movimento mais amplo de engajamento cidadão impulsionado pela retomada dos passeios turísticos na lagoa e pelo processo gradual de recuperação ambiental em curso. Mais do que celebrar os avanços, a ação buscou reforçar a mensagem de que a preservação da Pampulha depende do envolvimento permanente da sociedade.
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